Uma das reações mais comuns decorrentes do choque é a letargia. Se, após um acidente de automóvel, um homem grita e retorce-se enquanto outro se senta calmamente olhando para o ar, costumeiramente é aquele que está quieto quem está mais ferido.
Quando as pessoas mudam de rumo é raro não se encontrar uma que não gaste a primeira meia hora de sua jornada olhando por sobre os ombros para trás.
E quando as coisas estão realmente más há pessoas que procuram outras pessoas em situação pior, a fim de se consolarem. É difícil ver-se o efeito proveniente disto, mas parece que dá resultados. Nós equilibramos a nossa dificuldade contra a dos outros, e se a nossa é menor a gente sente-se melhor.
Dentre todas nossas invenções tenebrosas, o pecado é logo o mais cômico e o mais doloroso. O mesmo foi implantado pela pressão coletiva da tribo para conservar a potencialidade perigosa e individual fora de equilíbrio? Está instalado no psicotecido, aguado e cultivado pelas glândulas sem flexibilidade? É a culpa uma invenção inconsciente pela qual um homem clama por atenção num mundo indiferente, ou será que o último prazer humano é a dor? Seja qual for a sua origem, gritamos como gatos ao copularem, uivamos para a Lua, como se fôssemos lobos, flagelamos a nós mesmos com os espinhos do desprezo, e geralmente gozamos com isto de uma maneira diabólica.
Que anelos secretos e entesourados existem em cada um de nós! Atrás de um nariz quebrado e de um olhar maligno pode haver um cortesão gentil; atrás das poses, símbolos e mitos talvez haja a ânsia de ser homem. Se pudéssemos ser, por apenas uma noite, o que mais desejássemos no mundo, o que aconteceria? Que segredo revelaria?
Se apenas as pessoas dedicassem os mesmos pensamentos, os mesmos cuidados, os mesmos julgamentos aos casos internacionais, à política, e mesmo às suas ocupações, que dissipam com o que vão usar num baile de máscaras, o mundo rolaria sobre encaixes oleados.
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Há 3 semanas