Deixando escapar um suspiro cansado, ergui os olhos.
Os dele, tão escuros e insondáveis, emanavam calor. A mandíbula estava tensa, apertada. Sua respiração não era estável como de costume.
Sabia que também ofegava. O coração batia descompassado, num momento acelerado, no outro, ameaçando parar. Cada centímetro de pele parecia estar em brasa.
...Sentir? Sentia até demais! Meu corpo estava tomado pelas sensações que ele conseguia provocar com um simples toque, e sabia que estava a um passo de perder o controle (mais uma vez). Então seria impossível voltar atrás.
Levei um bom tempo para recuperar a partida dele. Cobrindo-me com um casaco de inverno enorme, deixei aquela esquina, sem olhar para trás. Depois fiquei parada por alguns instantes, as mãos apoiadas na madeira rústica da parede de uma velha casa.
Voltarei logo. Procure-me quando decidir o que quer, ele dissera, como se fosse certo e inquestionável que me tornaria sua amante.
Um suspiro trêmulo escapou de meu peito. Não podia negar a atração que existia entre nós. Ansiava pelos prazeres sensuais contidos nas promessas dele, mas sabia que não poderia entregar-me a tais intimidades sem comprometer o coração.