segunda-feira, janeiro 21, 2013

Sorrindo para o sol.

Pega um cigarro, custa a acendê-lo. Não consegue controlar o tremor de suas mãos.
Ajeita o cabelo despenteado pela ventania. Ela deixa pra lá. O importante é que está ali. Com ele.
Ao fundo, toca Lucy In The Sky With Diamonds. LSD. Ouve atenta, em busca de concentração.
Não quer que ele perceba como está tensa. Disfarça. Envereda uma conversa impessoal, procura ser lúcida, brilhante.
Ele sorri. Ela compara esse sorriso a uma taça de sorvete de flocos: seu favorito.
Anna sentiu-se estranhamente tensa. Algo muito íntimo havia sido dito.
Mas, embora se sentisse tensa, tinha a impressão de estar descansada, o que não deixava de ser um tanto estranho também.
Quando a cerveja acabou eles decidiram que a mesma fazia com que o desjejum fosse supérfluo.
Antônio foi buscar mais seis garrafas e num rasgo de generosidade trouxe a caixa de cerveja.
Anna sentiu um doce calor aquecer-lhe o coração quando esperava ali, na sala de visita.
Ela havia se levantado quando ele entrou na sala. Ele largara a cerveja e pusera o braço em volta de seus ombros e puxara-a contra si. Ela podia ver, refletido no espelho, acima do aparador, o perfeito e jovem casal. Ele era mais alto do que ela, quando ela estava de salto alto, o tamanho justo.
Sempre que - como naquele momento - vislumbrava sua própria pessoa num espelho, ao lado dele, sentia-se presa de doce orgulho. Formavam um belo bar. Um ressaltava o outro.
Fora uma noite agradável. Tinham assistido um filme, suave e romântico, daqueles que despertam na gente uma certa disposição para amar.
Apagou a luz. Havia uma vela na mesa de cabeceira. Acendeu-a. Deixara a luz acesa em seu quarto e, embora a porta estivesse fechada, uma linha luminosa acima do tapete reforçava a luz da vela. Deitou-se delicada, muito delicadamente, começou a acariciar-lhe os ombros. Tinham adquirido com o decorrer dos dias uma intimidade intensa.
Abraçou-a. Puxou-a bem para junto de si, sua face contra a dela era um pouco áspera.
Na manhã seguinte, estava alegre quando levantou as cortinas da janela e viu quão belo era o dia. E quão belo era o rosto dele sendo invadido por raios de sol enquanto ainda dormia.