Depois da melancolia que a acompanhou por boa parte do dia, precisava sair, dar uma volta. Foi tranqüila meio que sem rumo.
Passando por uma praça, viu um senhor atravessando de mãos dadas com uma senhorinha muito vaidosa: usava pérolas e uma blusa de linha com fitinhas.
O senhor chegou a parar o trânsito da rua para que sua esposa atravessasse com toda calma. E ao final da travessia recebeu um sorriso. Deram as mãos e se foram.
Ela achou o casal lindo. Se emocionou.
Chegou à praia e decidiu tomar um suco de laranja, molhou os pés e ficou sentada na areia pensando em tudo que estava sufocando-a. Logo, ela chorou, mas aos poucos foi como se evaziasse o que pesava em sua alma.
Decidiu entrar na água de roupa e tudo e, depois de guardar o que não podia molhar, ficou somente com a chave do carro nas mãos. Começou chutando a água, mas logo estava pulando e mergulhando. Ficou por um tempo nesse transe na praia vazia vendo o céu meio azul nublado, a areia, toda aquela água, o vento... E a sensação de liberdade.
Voltou para casa, tomou um banho e lembrou-se do casal de idosos que viu. Não são todos que têm a oportunidade de conviver com uma pessoa carinhosa e dedicada.
Ela teve por anos a oportunidade de aprender muitas lições de vida e amor sincero pelas pessoas. Um exemplo sólido da capacidade de transformação que o amor verdadeiro é capaz de causar. Se deu conta de que não deveria lembrar com tanta tristeza, mas sim com uma saudade nostálgica que esquenta o coração, com carinho e ternura pelas oportunidades que teve de compartilhar.
As boas lembranças são carregadas em nosso coração e isso está tão dentro de nós que nada é capaz de mudar. Portanto, não importa aonde vá, ele estará sempre com ela e prefere vê-la sorrindo ao pensar em vê-la chorando sem seu abraço terno para consolar.
Ela jamais esquecerá, em sua vida, do brilho dos olhos desse menino.
E chega de choro.
Papo rápido no uatizape.
Há 3 semanas