sábado, julho 23, 2011

Contracomplacente.

Teve uma de suas intuições. Mexeu o corpo, inquieta.
Uma muda e amarga solidariedade, inútil porém calorosa, isolava-a do resto.
Poderia amá-los apesar de tudo, ou era uma ilusão, uma necessidade produzida pela curiosidade?

Que tipo de sentimentos são aqueles?
Amá-los representava uma obrigação, um pagamento, seu próprio compromisso. E a possibilidade de ter paz interior.

O que acontece é que eu sou uma perfeccionista, uma intelectual barata e uma masoquista moral, nunca satisfeita, uma contrariadora da autocomplacência.

sexta-feira, julho 01, 2011

Gritos de guerra e champagne.

Aquela cidade repleta de presente e de passado e revelando um pouco do seu futuro.
Levantou-se a contragosto.

...não queria falar com ninguém. Procurava na solidão um refúgio para seus pensamentos, só isso. Odiava os elogios gratuitos, as palavras fáceis e as palmas corteses. Odiava o cinismo adulto e a hipocrisia barata.

''Não deixe ninguém mandar em ti e assim será respeitada''.

A dor atingiu todas as suas terminações nervosas.
Começou a golpear diversas vezes a parede com os punhos fechados, com toda a força, machucando-se, até que, ao apoiar a cabeça nela, conseguiu soltar, gemendo, os últimos demônios do seu corpo:
- Não veem que não sou como eles? Não veem que sou diferente?
E começou a chorar.

A decisão de toda uma vida nas mãos de uma resposta pronunciada a uma idade absurda.
Seria feliz vivendo uma existência aventureira, em contraste com a monotonia que imperava agora.

Era a primeira vez que suplicava, que utilizava termos como ''por favor'' ou deixava o seu medo transparecer.

''Nós vamos ser diferentes; já aprendemos a lição''. 

Como faltavam dezessete dias para o seu aniversário, era melhor não forçar a situação, aparentar cooperação e bom ânimo. Pois, na verdade, a quem interessava isso?

Só a música valia a pena, tanto na vida como na morte.