segunda-feira, novembro 30, 2009

Forma ao esquema de coisas.

Um é placidez dos lençóis. Outro é o estremecer da nudez. Um é a resposta da carícia na pele. Um é o segredo do oculto. Outro é a revelação do exposto. Um é o suspiro. Outro é o arquejo. Um é a espera. Outro é perigo. Um é o amor. Outro é a paixão. Ela quer os dois.

terça-feira, novembro 24, 2009

Simétrico.

Acariciando o queixo, desenhava com uma mão, assuntando com as tripas e respirando com o coração.
Horas a fio pesquisava, firmava o traço e os rabiscos soluçavam sobre o papel.
Tudo começou com um ponto. Um ponto solto, vermelho, solitário, no meio da folha. Depois, uma linha a percorrer o papel em arabescos barrocos. As curvas loucas, preenchenco o vazio, desenrolando-se e curvando-se novamente para todos os lados. Finalmente, as manchas pesadas espatifando-se e dissipando os intrincados ornamentos.
Os gatinhos sapecavam em suas pernas, de fome.
Esfregando pesadamente suas pantufas felpudas pelo piso gelado da sala, vai até a cozinha. Vazia e escura. Já era quase dia. Aproveita e bebe um pouco de uísque. Ele se empolga, senta na mesa e bebe duas garrafas. Em instantes, dormia um sono etílico.
O telefone toca e ele, após acordar assustado, sobe até o quarto para atendê-lo. Era engano. Fica por lá e continua a escrever.
Quando se deu por satisfeito, no quarto silencioso, um enorme sorriso iluminou o papel. A carta estava cerrada. Mandaria no dia seguinte. No mesmo envelope, o desenho que fizera.
Todas as cartas de amor são parecidas. Dizem as mesmas coisas, repetem as mesmas palavras, as mesmas superfícies e idênticos conteúdos.
Cartas de amor não dizem nada. Cartas de amor são palavras parasitas. Tal qual um vírus inanimado quando solto no ar, manifestam-se quando penduram seus mistérios no receptor.
E, quando encontram o único e adequado terreno, meu Deus, o que é essa avalanche? Meu Deus do céu, faça-me escravo desta química!
De que me importa o Deus do céu, quando se ama?

segunda-feira, novembro 23, 2009

Ré menor, opus 21.

- Tu sabe o que é uma borboleta?
- Mas... Claro que sei!
- O que é, então?
- Ora, é uma borboleta! Uma... butterfly, uma... mariposa, uma Schmetterling, uma papillon, certo?
- Muito certo. Mas como ainda podemos definir uma borboleta?
- Um ser, um inseto que voa!
- Correto. O que mais?
- Bem, as borboletas têm uma tromba de elefante por onde se alimentam, asas muito grandes e coloridas, muitos pés também.
- Mais alguma coisa?
- Elas vivem pouco tempo. Pobres borboletas...
- É?
- É, e também existem os caçadores de borboletas, com aquelas redes... dando ''pulinhos de primavera'', tipo os do Bob Esponja.
- Sei... Eles também parecem borboletas, né?
- Não! Eles são maus. Depois de pegar as coitadas, crucificam elas com dois alfinetes.
- Tá. E... o que mais tu sabe das borboletas?
- Eu sei também que existem muitos tipos de borboletas. Dizem que suas asas têm um pó que pode nos cegar.
- Interessante! E o que mais?
- Como? Mais? Por que cargas d'água tu quer saber o que eu sei das borboletas?
- Só para puxar assunto mesmo, hê.
- Ok...
- Então, mais alguma coisa?
- Tem ainda aqueles desenhos que fazemos quando crianças, com... papel dobrado e tinta no meio, sabe? Tem também as gravatas borboletas... aquele... tipo de macarrão, tem...
- Mas essas não têm graça. Prefiro as de verdade. Fala mais das outras.
- Bom, elas... voam meio torto, eu li uma vez. Parece que nunca sabem onde estão indo.
- Como se estivessem sem pressa?
- Sem pressa, não. Como se tivessem acabado de acordar, sabe? Tipo... procurando os chinelos debaixo da cama...
- Sei... Diga mais.
- Deixa eu pensar... Humm... Lembrei! Quando as borboletas pousam numa flor, suas asas ficam fechadas, assim como se estivessem rezando.
- Tu sabe muito sobre borboletas.
- Tu acha?
- Acho. Tem mais alguma coisa?
- Bem, tem aquela fase que vem antes, quando elas não são borboletas ainda, quando são uma larva. Mas disso eu não sei muito e tu me perguntou sobre borboletas, não larvas.
- É verdade. Mas, continua.
- Sobre borboletas?
- É, sobre borboletas.
- Mas eu não sei mais nada sobre borboletas.
- Nada?
- Nada.
- Está bem. Então me fale sobre nuvens.
- Nuvens?
- É, nuvens, como aquelas ali.
- Tá. Mas por que tu quer saber sobre nuvens?
- Assim, por nada.
- Nuvens são concentrações de água em estado gasoso, no céu.
- O que mais?
- Nuvens são como borboletas: parece que nunca sabem para que lado voar.
- É verdade. Mais algo?
- Não sei muita coisa sobre nuvens, desculpe.
- Então me fale sobre bigodes.
- Bigodes?
- É, bigodes ou, então, cílios. Tu prefere falar de bigodes ou cílios?
- Tanto faz.
- Diz o que tu sabe sobre cílios e bigodes, então.
- Mas o que tu quer saber sobre cílios e bigodes?
- São mais parecidos com borboletas ou com nuvens?
- Bigodes: com borboletas; e cílios, com nuvens.
- É mesmo. Continua...
- Tá bem, mas antes...
- Sim?
- Antes eu queria dizer que te amo.
- É?
- É.
- Eu também.
- Que bom. Continua sobre os cílios e bigodes, ou tu prefere falar agora sobre pulgas?
- Pulgas? Pode ser.

quinta-feira, novembro 19, 2009

P-p-p-party.

Chega tarde à festa e só surpreende pedaços de corpos, muitos pedaços, separados, disformes, atravacando seu caminho. Pernas, braços, olhos, muitos olhos dando reflexos multicoloridos ao ambiente escuro. Um dos olhos o reconhece e se encaminha para ele, vai aos pulos e se ajeita no bico do sapato... Com medo, John olha para ele: um dos olhos de Lucy, verde, verde, grande e úmido, como se ela acabasse de chorar. Mas seu olho está vivo, não traz marcas vermelhas deixadas pelas lágrimas. O verde, o branco e o círculo negro bem definidos, marcantes. O olho não está triste, embora sem o companheiro. Onde estará o outro, as outras partes de Lucy? Precisa encontrar-se com ela, salvá-la, salvar o resto do corpo. Mas a luz está turva, leitosa. Os olhos só se refletem nas paredes, nunca no chão de corpos divididos. Eles parecem buscar no alto outros olhos, piscam, mudam de direção, não páram num só espaço. O olho de Lucy ficou preso nos de John, e os de John, no de Lucy. O ambiente vai afogando o homem, luzes de olhos na parede, luzes vermelhas no palco fundo, sons aloucados e um bolo na garganta impede seu grito. Ele grita: ''Lucy-Lucy-Lucy'', mas o som repercute apenas dentro dele. Os rapazes do conjunto pop permanecem frenéticos, incansáveis, barulhentos. Cantam desesperadamente uma canção que ele não entende, quase uivos. E a luz vermelha vai apagando e acendendo, mudando de tonalidades: forte exageradamente, quase cegante, ou indistinta. Luz e sombras nos corpos deles, nas estranhas cabeleiras longas que sobem e descem, volteiam inquietas. À medida que a música fica mais louca, sente que nuas pernas, lisas e cabeludas, se movimentam dinamicamente, não no palco, mas ao seu lado. Só pernas, só o seu corpo no meio delas. Duas estão encostando ao seu corpo, se esfregando nas suas pernas em ritmo vertical e horizontal. Ele tem medo e desejo, muito desejo, muito medo. Suas mãos descem até elas, são as longas pernas de Lucy, tem certeza de que são. Já tinha um olho, agora, duas pernas, muitas esperanças. Logo outras partes reaparecerão e, como fazia com os brinquedos de criança, montará todo o corpo de Lucy, peça por peça. E Lucy renascerá em suas mãos, de suas mãos. O corpo de Lucy é sua geografia constante e nada desconhece dele. É terreno moldado em suas mãos e só ele sabe dos vales, montanhas e planícies daquele corpo. Ouve estrondos de palmas, vivas, barulho alegre, gritos. Uma mulher, maior que todos, mas com rosto de criança, aparece nua, canta e dança, possuída pelo demônio. Enquando ela canta, todos se calam. Depois novos gritos, palmas, vivas. A voz volta a imperar. Não consegue deter uma nota ou um verso, mas é música e a voz emite palavras estranhas, sons onomatopaicos e selvagens. Crescem os corpos ao fundo, mas não sabe distinguir fisionomias e sexos. Estão nus e os corpos vão sofrendo metamorfoses: surgem lisos como de moças ou adolescentes e vão criando pêlos enormes que crescem, crescem, até surgirem os corpos novamente lisos. A voz vai ficando triste, mais triste, mais choro que canto. Parece sinos desordenados, tristes, fortes. Lucy, Lucy, por que você inventou esta festa? Por que o convidou com tanto empenho? Onde estão as outras partes do seu corpo, onde? É tão confuso. Sente-se abafado, sem luz, neste fundo de poço imenso, cheio de fantasmas aloucados, e sem definição. Está confuso e não compreende as mãos surgindo, sem os braços enormes, nítidas. As mãos correm pelo corpo dele, tiram suas roupas, Lucy... Está excitado, muito excitado. As mãos, as pernas, o olho, um olho só, as mãos revisitando seu corpo muitas vezes, como uma amante saudosa. Ele tem partes do corpo dela, necessita uní-las com as demais, até recriar ela completa e mais velha. Lucy lhe disse muitas vezes que nasceu nas mãos dele, elas descobriram seu corpo. Agora elas vão montá-la e será divino vê-la nascer delas (novamente). Mas não excite-o assim, ele precisa concentrar nessas partes de tantos corpos para descobrir as que lhe faltam. Precisa, urgentemente, de seu corpo completo, reconstituído. Não quer que seu corpo se relaxe, depois do orgasmo provocado por suas pernas nas dele, suas mãos correm o corpo de John, seu olho hipnotizando-o. Sente um calor nos lábios, primeiro o vem uma doce repugnância. Olha e alegremente descobre os lábios dela, sua boca inteira, dentes, sorriso. Seus lábios queimam os dele, saem da boca e mordem o ombro dele, beijam seus braços, o rosto. Aos poucos, outras partes surgirão e será mais fácil reconstruí-la, Lucy. Não pode se excitar tanto. Se interromper seus desejos, não montará seu corpo, peça por peça, como na infância. Quer calma e ar puro para montá-la melhor ainda do que era antes. Tudo seria mais fácil se houvesse um ambiente aberto, flores, muitas flores, cantos de pássaros ou uma música de Bach, tocada baixinho. Mas esta maldita barulheira, esta alucinação, este poço escuro e triste e o sexo em desespero impedem de concentrar-se na obra. Outras partes vão surgindo mais, elas se movimentam dinamicamente como a música tocada. Seus movimentos são lentos e querem uma construção minuciosa, como a de um poeta buscando palavras exatas para um poema maior. Ele precisa montar Lucy, seu poema. Precisa do corpo completo para completar seu ato de amor. Quer seu corpo colado no dela, sem faltar um detalhe. Não quer se satisfazer com as partes disponíveis apenas. As mãos de Lucy se juntarão às suas, agora elas estão presas nos braços e eles tocam o corpo de John. Mãos, boca, braços, pernas excitando-o e ele querendo deter cada parte para formar o todo. Agora são dois olhos nos dele. Por que esta festa maluca, por quê? Eles estavam tão felizes e calmos, isolados das pessoas, ambientes e coisas fora do mundo. Criavam a vida de uma maneira calma, sem luzes, cores, festas, palpites, fugas. Longe, tão longe das mentiras criadas no tempo de solidão, antes de um se descobrir no corpo do outro. Por que esta festa, Lucy? Será que precisava de fugas? Ele não entende, não consegue... John pede para que ela tire a mão de sua boca, ele quer falar, perguntar. Quer porque dói muito e não encontra resposta para o insólito disto tudo. Os dois olhos, a boca, agora o nariz e cabelos, as mãos, os braços, as pernas, o corpo vai se recompondo, mas sente vontade de parar com tudo e deixar que seu corpo cansado tenha paz. Os beijos de Lucy, suas mãos no corpo dele, as pernas nas dele, não, Lucy, agora não. Os seios, onde estão os seios? São fundamentais para maior harmonia e beleza. Ele suplica que não alise seu corpo agora, por Deus, ele não agüenta, não esfregue as pernas assim, por Deus, Lucy. Precisa dos seios, das nádegas, do que lhe falta... E seu corpo está queimando, resistindo, esfregando-se ao dela. Não, precisa concluir, não pode desistir. Quer e não quer, não pode. Agora, Lucy, pare um pouco, ele está completando o poema, com poucas palavras mais, não deixe que as partes se unam, John quer montá-las uma a uma, peça a peça, bem dispostas, como as palavras do maior poema de amor que alguém já fez. Impossível, não pode, não há mais forças, nem tempo, nem nada. Que as partes se encontrem nos gemidos finais. Já ouve o gemido de Lucy e o hálito dela quente ao ombro dele, voaram, voaram, voaram, viagens, sons, cores, viagens, cores, sons, voaram, voaram. Seu corpo completo completa o dela. Os corpos trêmulos se compuseram juntos, são deuses, dois corpos, um só corpo e Lucy Lucy.
A música baixinha, a claridade da lua no céu, fora do poço dois corpos estendidos. Um sono pesado, sua cabeça pendida nos ombros de John, um beijo na testa, diversos beijos em seu corpo, agora completo. Tomba cansado e sonha, sonham.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Subsídio.

Pega um cigarro, custa a acendê-lo. Não consegue controlar o tremor das mãos.
Dá uma espiadinha no espelho do carro, ajeita o cabelo despenteado pela ventania. Paciência! Depois se arruma melhor. O importante é que está ali. Apóia a cabeça no encosto do banco, respira fundo. No rádio: ''Lucy in the sky with diamonds''. Ouve atento, em busca de descontração. Não quer que ela perceba como está tenso. Disfarça. Tenta uma conversa impessoal, procura ser lúcido, brilhante. Não é nada disso.
Dirige devagar. Troca a marcha inexperientemente. O carro parece tão grande para ele. Com aquela cara de menino.
Chegados no apartamento dela, ele respira aliviado. Tenta aparência natural. Observa móveis, quadros, aparelhos de som, discos... Separa: Caetano Veloso, Chico Buarque, The Carpenters, Beatles e Arnaldo Antunes. Ela abre o uísque e o serve. Algumas almofadas pelo chão. Senta-se, tira os sapatos, ajeita a camisa. Are you sure didn't make it up yourself? - ouve. E vai sofreando perguntas, essas perguntas tolas que os homens fazem ou têm vontade de fazer: é seu apartamento? Você vem sempre aqui? Procura se convencer de que isso não importa. Pega o copo de uísque, põe no chão a seu lado. I'm standing in the wind, but I never wave bye-bye, but I try, I try - começa a cantarolar.
Ouve e bebe com certa sofreguidão. Talvez lhe faça bem.
Na penumbra da sala, pára o seu cigarro, onde uma cinza comprida parecia querer cair a qualquer momento. A moça sorri.

Modern Love.

Olhar ele dormindo não era uma coisa que ela imaginara. Foi por acaso que dormiram juntos. Mesmo sem conseqüências sexuais. Talvez porque se conheçam há pouquíssimas horas e ela, mesmo sendo uma mulher moderna, ainda se considera absoleta em relação às jovens da mesma idade atualmente.

Violeta acaba de sair de um (curtíssimo) relacionamento, onde, dramatizava ''estar com o coração em pedaços'' e que, nenhum outro alguém poderia curá-la. Parece que agora estava enganada, não é mesmo, Violeta?!

Pedro trabalha no ramo de publicidade. Ele ainda é jovem. Mas sempre foi um cara boêmio (desconsiderando o antigo significado da palavra), com alma de idoso, mas ao mesmo tempo, muito responsável, apesar de sua desorganização.

Ele a convidara para dar uma volta no seu ''carango'', como ainda costumava chamar seu carro antigo. Violeta, claro, adorava aquele jeito de falar de Pedro.

No outro dia, quando Violeta se deu conta, sentiu uma mão em sua cintura. Estranho... Ela não lembrara de nada. A resposta estava justamente em frente a seus olhos: quinze - sim, QUINZE - garrafas de vinho tinto e mais duas de vodka barata. Certamente ela não lembraria de nada que aconteceu na última noite e isso, de certa forma, a deprimia.

Violeta sempre foi uma mulher nostálgica. Quando se sentia carente (não raramente), se pegava lembrando de amores passados. E isso a incomodava um pouco. Mas mesmo assim, não perdia o hábito. Talvez porque não tenha encontrado alguém que a satisfaça por completo.

Pedro abriu os olhos. Sua cabeça pesava um pouco, mas sua memória era invejável. Lembrava de cada detalhe com Violeta. E não se lamentava por não terem feito sexo. Olhou para o lado, e em seus braços, estava o corpo de Violeta. Ela parecia perturbada. Mas aos poucos, retomava sua memória.

Violeta entrou no carro e, em meio àquele cheiro de incenso, resmungou: ''para onde vamos hoje?''
Ele parecia mais empolgado que ela, e disse sem pensar: ''quero que conheça um lugar''. Ela lançou um longo sorriso.

Pedro não conteve-se, e quando viu Violeta ao seu lado, quis beijá-la. Ela, meio assustada, correspondeu ao beijo de tirar o fôlego. Indícios de excitação tomaram conta dos dois corpos. Porém, Pedro recuou: ''se não aconteceu ontem, certamente, é porque devemos esperar um pouco mais, certo?''.
Violeta sorriu e o beijou.

Já mencionei como se conheceram?! Acho que não...
Violeta e Pedro, se encontraram pela primeira vez numa feira literária, na cidade onde um amigo de Pedro morava. Ela, foi convidada por uma amiga... que, era amiga do amigo de Pedro.
Violeta avistou aquele rapaz de cabelos negros, compridos e brilhantes. Seu par de óculos e tênis chamaram a atenção. Sua roupa simples, fora de uso e aparentemente macia, a envolvia. Ela queria mesmo conhecê-lo. E sem vergonha alguma, dirigiu palavras a ele.

Naquela mesma cama, Violeta tentava lembrar como foram parar ali. E Pedro, com uma simplicidade na fala, explicou-a que haviam apenas ouvido algumas músicas no velho toca-discos e bebido (muito). Ela se sentia segura, mesmo não lembrando muito bem sobre a noite passada.

Chegados ao lugar onde Pedro gostaria de mostrar à Violeta, ele a desceu do carro e mandou que abrisse os olhos. Acredite ou não, ele levou-a num zoológico. Nem ao menos imaginando que Violeta amava animais. E mais do que isso, amava zebras. Sem querer, Pedro a colocou frente a frente com as zebras do zoológico. O que claro, fez com que Violeta abrisse um sorriso que mal cabia em seu pequeno e delicado rosto.

Violeta lembrara aos poucos que haviam ido tomar sorvete após terem ido ao zoológico. E apenas isso teria acontecido. Ela estava surpresa com tudo. Nunca um homem a tinha tratado com tanto respeito. Por um momento, ela até desconfiou da heterossexualidade de Pedro. Mas lembrou que eles estavam abraçados e que ele a beijara várias vezes. Não era possível. E não era mesmo.

Viram os leões também, que eram os animais favoritos de Pedro. Além de seu signo ser Leão.

O sabor de sorvete favorito de Violeta é flocos. Pedro acertara mais uma vez. Espero que ele descubra que suas flores favoritas são rosas amarelas.

terça-feira, novembro 17, 2009

The youth is starting to change. Are you starting to change?

É engraçado a forma que as coisas mudam. Estamos praticamente no final do ano... Alguns, se preparam para ir embora de suas respectivas cidades; outros, ''pegam'' empregos temporários; e há ainda os que acabarão o Ensino Médio. Aliás, era exatamente aí onde eu queria chegar: nas pessoas que se formam esse ano.
Quer dizer, tem todo aquele ritual de trocar telefone, juras de amor que parecem eternas e tudo mais.
Mas eu digo uma coisa: vamos todos nos perder de vista um dia. E o tempo para ver os ex-colegas de colégio não vai existir. Os papéis de telefones que acabamos de anotar vão sumir como que por encanto. Crescer é, de certa forma, se separar das pessoas amadas.
Vamos descrobrir, na carne, que sentir, nessa vida, é sentir o tempo indo embora.
Alguns momentos, algumas coisas, ou pessoas, cheiros, visões, objetos e lembranças, nos põem em contato com o passar do tempo. Tudo o que nos emociona, tudo o que nos toca fundo, é o tempo chegando e indo embora. Se eu pudesse dar um conselho, eu diria: não queiram nunca ser eternamente jovens; gostar de viver é gostar de sentir, e gostar de sentir é, necessariamente, gostar de envelhecer.
A vida, para uns, será mais suave; para outros, mais dura. Às vezes por castigo, às vezes por acaso. Falem com o tempo. Conversem com ele. Fiquem íntimos dele. O tempo é a nossa única companhia garantida até o último instante.
Sejam orgulhosos da derrota, e bondosos na vitória.