terça-feira, outubro 22, 2013

Sincronia

Os beijos tornam-se únicos.
E os abraços, extensões de dois corpos.
O cheiro marcante do outro passa a ser o perfume da vida e o calor de sua presença, totalmente necessária.
Como pode um estranho se tornar meu amante?!
Quando os olhos se enchem d'água e o coração quase não cabe em meu peito é que posso assumir sua extrema importância.
Quando a admiração e orgulho são sentimentos recíprocos é que percebo que não há sentido colocá-lo em um pedestal.
Quando a base de tudo é o respeito, companheirismo e carinho é que percebo que minha alma foi feita para a tua e que meu corpo encaixa perfeitamente com o teu.
Quem lhe deu permissão para ser tão conectado a mim?
E quem foi que lhe permitiu saber o que penso?
E ainda: como pode ousar modificar minha maneira de pensar e agir?
Não sei quem lhe deu a permissão, mas no momento, eu assumo toda a culpa.
A culpa por te conhecer.
A culpa por te amar. É minha. Minha.

Ou melhor, nossa.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

Sorrindo para o sol.

Pega um cigarro, custa a acendê-lo. Não consegue controlar o tremor de suas mãos.
Ajeita o cabelo despenteado pela ventania. Ela deixa pra lá. O importante é que está ali. Com ele.
Ao fundo, toca Lucy In The Sky With Diamonds. LSD. Ouve atenta, em busca de concentração.
Não quer que ele perceba como está tensa. Disfarça. Envereda uma conversa impessoal, procura ser lúcida, brilhante.
Ele sorri. Ela compara esse sorriso a uma taça de sorvete de flocos: seu favorito.
Anna sentiu-se estranhamente tensa. Algo muito íntimo havia sido dito.
Mas, embora se sentisse tensa, tinha a impressão de estar descansada, o que não deixava de ser um tanto estranho também.
Quando a cerveja acabou eles decidiram que a mesma fazia com que o desjejum fosse supérfluo.
Antônio foi buscar mais seis garrafas e num rasgo de generosidade trouxe a caixa de cerveja.
Anna sentiu um doce calor aquecer-lhe o coração quando esperava ali, na sala de visita.
Ela havia se levantado quando ele entrou na sala. Ele largara a cerveja e pusera o braço em volta de seus ombros e puxara-a contra si. Ela podia ver, refletido no espelho, acima do aparador, o perfeito e jovem casal. Ele era mais alto do que ela, quando ela estava de salto alto, o tamanho justo.
Sempre que - como naquele momento - vislumbrava sua própria pessoa num espelho, ao lado dele, sentia-se presa de doce orgulho. Formavam um belo bar. Um ressaltava o outro.
Fora uma noite agradável. Tinham assistido um filme, suave e romântico, daqueles que despertam na gente uma certa disposição para amar.
Apagou a luz. Havia uma vela na mesa de cabeceira. Acendeu-a. Deixara a luz acesa em seu quarto e, embora a porta estivesse fechada, uma linha luminosa acima do tapete reforçava a luz da vela. Deitou-se delicada, muito delicadamente, começou a acariciar-lhe os ombros. Tinham adquirido com o decorrer dos dias uma intimidade intensa.
Abraçou-a. Puxou-a bem para junto de si, sua face contra a dela era um pouco áspera.
Na manhã seguinte, estava alegre quando levantou as cortinas da janela e viu quão belo era o dia. E quão belo era o rosto dele sendo invadido por raios de sol enquanto ainda dormia.