quinta-feira, agosto 27, 2009

Sem avisar...

...E agora me encontrava em uma festa de gala em um clube esnobe, cheio de mulheres e homens que transpiravam riqueza.
A música era enfadonha, incapaz de contagiar alguém. Mas ao menos eu podia me consolar com a cerveja, enquanto observava aquelas pessoas estranhas. Os casais pareciam dançar com mais dignidade do que por entusiasmo. Mas quem poderia culpá-los? Afinal de contas, a orquestra era tão viva e animada quanto um velório!
Era interessante observar todas aquelas jóias reluzindo.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Ele quer me oferecer uma Duff.

''Ninguém sabe onde está, a não ser eu e , claro, você''.
Suponho que fosse isso mesmo o que eu queria; assim, de certa forma, tinha conseguido realizar os meus intentos.
Demos, os dois, boas risadas. Afinal, as pessoas falavam de mim e me procuravam. O momento foi maravilhoso! Mas a experiência já me ensinara que, quando são maravilhosos, eles não duram muito. No fim, iam acabar me achando mesmo, então, o que seria?!

quarta-feira, agosto 12, 2009

Enferrujada.

Pouco depois estava comigo, excitada como nunca. Ela ainda possuía a mesma idade que eu. E percebi que vestia um casaco com enormes bolsos internos, parecendo estofados com o que achei que fosse a comida que me prometera.

Nas mãos, agitava um jornal.

sábado, agosto 08, 2009

Mamadi.

Sua presença significava segurança num mundo que me ameaçava; quando me sentia perturbada, era para ela que me voltava, querendo que me explicasse o porquê disso; ela não podia, mas em compensação, me dava consolo; foi ela quem me fez tomar leite e comer arroz-doce...

The Imposters.

Sentou-se em cima da mesa, segurando os joelhos com as mãos, os olhos meio perdidos - era o jeito como ficavam quando seu rosto vincava com algo que lhe dava prazer.

Não é o bastante definir os termos.

Na parede, havia um espelho e penteei os cabelos; ao me olhar, pareceu que eu estava diferente de quando me via no espelho do meu quarto em casa. Meus olhos pareciam maiores, provavelmente pelo medo; minha face estava pálida, sem dúvida pela emoção; e meus cabelos apontavam em todas as direções. Eram cabelos grossos, duros, que não admitiam serem presos e que foram motivo de desespero de muitas babás que tiveram a desventura de cuidar de mim na infância.

Minha aparência era comum, e eu não tinha o menor prazer em olhar minha imagem no espelho.

Sergio.

Se eu lhe contasse do que sentia medo, ele iria rir de mim. Já até imaginava o seu tom de voz alto e mandão, dizendo com desdém: ''Quanta imaginação, Mariana!''
Ele não tinha escrúpulos para discutir abertamente assuntos que outros fingiam não acreditar. Talvez por isso, achasse sua companhia sensacional, se bem que algumas vezes se tornava bastante desagradável.

Auréola.

Pobre moça, com seus 16 anos (pouco mais que uma criança e ainda assim, uma mulher), amedrontada e inteiramente fascinada por aquele... hmm... selvagem.
O cabelo dele era alourado, e me fazia lembrar a juba de um leão.
Logo que o vi, o colorido de seu rosto me tomou. Ele tinha o olhar mais sedutor que já havia encontrado.
Seus olhos e cabelos pareciam ter o mesmo tom, mesmo sabendo que isso era pouco provável; mas não era por isso que se faziam notados; suponho que fosse algo na expressão, algo de indiferença, segurança e sarcasmo.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Isabelle.

Curiosamente, todos fomos afetados pela sua presença. Isabelle dava a impressão de iluminar a casa de modo sinistro e estranho, fazendo com que eu visse tudo e todos de modo diferente. Fiquei insegura com relação às pessoas e me perguntava se, afinal de contas, não estava sendo ingênua e demonstrando pouco conhecimento da vida.
Ela era tão serena que às vezes pensava ser uma serenidade mortífera. À sua volta, tudo parecia quieto. Movimentava-se sem fazer qualquer ruído. Por diversas vezes, notei que, quando entrava num quarto, era tão silenciosa que as pessoas só se davam conta de sua presença depois de levantarem os olhos e virem apanhados de surpresa por sua esfuziante beleza.
Ah, sua beleza! Ninguém podia ignorá-la. Uma beleza rara, impossível de ser negada. Feições irrepreensíveis, sem uma falha, num rosto perfeito. Sua pele era macia e luminosa. Creio que, antes de encontrar Isabelle, só uma ou duas vezes vi pele igual à dela; os cabelos eram sedosos e curtos. Tinha tudo essa mulher, exceto dinheiro.
Assim, foi inevitável; uma presença como essa acabou produzindo efeitos em todos. Ela parecia despertar certos traços de nossa personalidade que, até então, eram mantidos latentes.

quinta-feira, agosto 06, 2009

O que sobrou.

É pela manhã que melhor se pode apreciar o sol. Descobri isso quando vi dia desses o sol nascer...quando as nuvens manchadas de vermelho projetavam brilhos rosados.
Depois do medo que senti durante a noite, a manhã me pareceu mais calma, e a paisagem, também, mais encatadora após os pesadelos. Diante da janela aberta, me senti estimulada por toda aquela beleza e também pelo fato de que tinha conseguido atravessar, a salvo, a noite.
Os muros da casa, agora, começavam a mudar de cor novamente; os tons verde iam esmaecendo, passando a prateados pelo brilho do amanhecer.
Para matar o tempo, decidi explorar a casa. Era
também um jeito de me certificar de que, de fato, estava sozinha.
Entrei na sala de visitas. Me joguei naquele sofá, puxei minha coberta favorita e juntei do chão minha tigela de cereais com leite. Logo peguei o controle da televisão e parte do meu dia passei ali.

Layout.

Jéssica me cumprimentou com seu enigmático sorriso, que agora eu comparava com o de outra pessoa. Estava elegante, e naturalmente linda. Usava uma blusa azul meio arroxeada. Ela não possuía muitas blusas como esta, mas esta era de muito bom gosto. E se há uma coisa que sabia, era como tirar o máximo do efeito de suas roupas. Talvez fosse porque uma beleza como a dela fizesse qualquer roupa parecer maravilhosa. Imediatamente me senti uma graça na sua presença, e aí me ocorreu que sua intenção fosse essa mesma, a de me fazer sentir assim, com aqueles olhares impassíveis que me lançava. Movia-se com uma graça que jamais iria conseguir imitar, e todos os gestos tinham um charme natural.