Curiosamente, todos fomos afetados pela sua presença. Isabelle dava a impressão de iluminar a casa de modo sinistro e estranho, fazendo com que eu visse tudo e todos de modo diferente. Fiquei insegura com relação às pessoas e me perguntava se, afinal de contas, não estava sendo ingênua e demonstrando pouco conhecimento da vida.
Ela era tão serena que às vezes pensava ser uma serenidade mortífera. À sua volta, tudo parecia quieto. Movimentava-se sem fazer qualquer ruído. Por diversas vezes, notei que, quando entrava num quarto, era tão silenciosa que as pessoas só se davam conta de sua presença depois de levantarem os olhos e virem apanhados de surpresa por sua esfuziante beleza.
Ah, sua beleza! Ninguém podia ignorá-la. Uma beleza rara, impossível de ser negada. Feições irrepreensíveis, sem uma falha, num rosto perfeito. Sua pele era macia e luminosa. Creio que, antes de encontrar Isabelle, só uma ou duas vezes vi pele igual à dela; os cabelos eram sedosos e curtos. Tinha tudo essa mulher, exceto dinheiro.
Assim, foi inevitável; uma presença como essa acabou produzindo efeitos em todos. Ela parecia despertar certos traços de nossa personalidade que, até então, eram mantidos latentes.
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Há 3 semanas