quarta-feira, novembro 16, 2011

60 revoluções por minuto.

Como se o dia prometesse ser excepcionalmente bom, acordei com ótima disposição de espírito. A luz dourada do sol, através das cortinas transparentes que cobriam uma das paredes inteiras do quarto, chegava até a cama e, com o farfalhar da brisa, parecia produzir centenas de diamantes que brincavam nas cobertas.
Adorava essa janela imensa que jamais fechava durante a noite para poder acordar com a luminosidade matinal.
Cantarolando baixinho, fui até a cozinha, passando por todos os cômodos da casa enquanto admirava a decoração e tocava um ou outro objeto mais querido. 
Em todos os cômodos o sol infiltrava-se através de janelas exageradas, e em cada um havia um relógio. Ao ouvir o tique-taque deles, eu mantinha a ilusão de estar no controle do tempo, embora fora consciente de minhas limitações.
Eram oito e meia da manhã, e estava certa de que seria um dos melhores dias da minha vida. Às nove, em ponto, quando o telefone tocou, convenci-me de que seria o pior.
As notícias só podiam ser péssimas, pensei desolada. 

Olhei em volta numa tentativa de recuperar o contentamento com que despertei. 

Há cinco anos, tudo não passava de um sonho nebuloso e distante. No entanto, como se o céu se abrisse, os tesouros começaram a cair sobre a minha cabeça. ''E se desaparecessem da mesma forma?'', indaguei, aflita. 
Apanhei-me mais uma vez com uma bolacha a meio caminho da boca. Devolvi-a depressa à lata. Sabia que estava sendo infantil ao me deixar dominar pela insegurança, meu pior defeito. 
Eu precisava reconhecer quão boa eu era. O céu havia-se aberto para cobrir-me com uma chuva de benefícios? Não! Tudo o que eu possuo é fruto de esforço e trabalho próprios, qualidades essenciais para se chegar ao sucesso.
Ninguém pode me tomar o que por direito me pertence.

Logo, recebi uma mensagem: ''Ainda bem que o tem bom humor não se foi junto com tudo que perdestes''.

Passei o resto da manhã tentando seguir esse raciocínio.