sexta-feira, dezembro 09, 2011

Questão de tempo.

Ventava um pouco, e cada vez que a porta se abria, para a entrada ou a saída de alguém os cabelos dela voavam-lhe no rosto. Ao erguer a mão pela terceira vez para afastá-los, prendeu a fivela do relógio na malha do vestido, na altura do ombro.
Todos os olhares convergiam para ela. Não tinha outra saída senão puxar a mão com força e arrebentar a malha do vestido, que continuava a prender o relógio. Abaixou o rosto e, antes de fazer o movimento desejado, sentiu dedos fortes e ágeis entre os seus, que, numa fração de segundo, soltaram-lhe a mão. Surpresa, levantou o olhar e se deparou com o de um homem cuja expressão era suave e alegre.
Como os seus, os olhos eram da cor de verde, só que de um tom diferente. Algo naquelas feições lhe era vagamente familiar. Os cabelos pareciam ter a tendência de cair um pouco na testa, e o corte os afastava das orelhas, estreitando-se um tanto da nuca. O conjunto todo era o de um rosto famoso.
Ficaram tantos dias longe que ela parecia ter esquecido suas feições. Apenas as lembranças no seu consciente. Agora ela lembrara: era o homem de sua vida.