terça-feira, abril 17, 2012

Arte milenar.

Nem todos acreditam que sexta-feira é dia de azar, mas quase todos concordam em que este é um dia de espera. Nos estabelecimentos comerciais, a semana está finda. Nas escolas, sexta-feira é o portão entreaberto para a liberdade. Não é feriado, mas um dia em que se imagina o que nos trará o sábado. O comércio e as diversões decaem. As mulheres procuram nos guarda-roupas o que usar. 

Viajou a madrugada inteira só para vê-lo.
Passou o final de semana observando seus gestos, seus traços, seus cabelos, seus olhos, sua boca linda...
Fazia tempo que não se viam desta maneira.
Ela havia descoberto algo. 
Quando em dúvida, ande devagar. 
Moveu a cabeça em direção a ele, que se afastou. Estava encantada com sua descoberta... tudo-em-movimentos-lentos. Levantou o copo lentamente, olhou-o cuidadosamente, tomou um gole e conservou-o nas mãos por um momento antes colocá-lo sobre a mesa. Len-ti-dão... dava um significado para todas as coisas. Fazia com que tudo parecesse real. Lembrou-se das pessoas incertas e preocupadas que conhecia, que saltavam e faziam rebuliço. Fazendo tudo lentamente, forçando, ela sentiu uma nova espécie de segurança. "Não se esqueça", disse a si mesma. "Nunca esqueça disso. Deste momento! Não esqueça!"
Ela pegou um cigarro e ele ofereceu o fogo. Ela debruçou-se tão lentamente para a frente que a chama já atingia os dedos dele quando ela acabou de acender o cigarro. Um calor agradável percorreu-lhe o corpo. Ela sentia-se arrojada, não defensivamente audaz, mas segura. 
Ele estava ali... O que mais poderia querer?
Nunca tivera tão feliz e tão nostálgica...
Na segunda-feira, separaram-se calmamente no ponto de ônibus. Deveriam seguir rumos diferentes... Mas, no peito de cada um, ardia a chama da emoção. E a expectativa de um novo encontro.