Enlaçou seu braço no dele e convidou:
- Vamos para casa?
- Vamos.
Ela apertou seu braço com força.
Ele sorriu, com um pouco de preocupação em seu olhar:
- Tu sabes que não gosto quando apertas meu braço desta maneira. Parece me pedir socorro. Fico preocupado.
- Eu sei, meu amor. - e sorriu.
Ao chegarem em casa, ele insistiu para que ela tomasse um banho demorado. Isso aliviaria a tensão que sentira no momento.
Sentindo-se bem mais reconfortada, ela acomodou-se no sofá da sala. Vestia uma camisa de seu amado e olhava absorta pela janela, enquanto tragava um cigarro.
Ele a procurara cheio de amor:
''Estou aqui, meu amor, e vou ficar pelo tempo que tu quiseres''
- Que tal para sempre? - sugeriu ela.
Ele concordou com um sorriso e um aceno com a cabeça.
Beijou-a com toda a delicadeza e controle como se ela fosse a criatura mais frágil desse mundo e que precisasse ser tratada com o máximo de cuidado.
Ela retribuiu a carícia e ajeitou-lhe os cabelos na testa. Bem de leve, traçou uma linha, com a ponta dos dedos, que desceu pelas pálpebras, passou pelas bochechas e contornou os lábios. Desejava tocá-lo, vê-lo e respirar o aroma familiar.
Ele acariciou-a na coxa exposta logo abaixo da barra da camisa. Sorriu ao ver que a mão tremia.
Tivera tanta saudade dele. Durante os dias e noites de solidão, ela havia sonhado com aquele momento de reencontro. Queria tê-lo entre os braços, amá-lo e satisfazer-lhe os desejos. Todos os momentos de separação haviam sido preenchidos por recordações saudosas e pelo desespero de não poder tê-lo. Mesmo agora, custava-lhe acreditar que a sua entrega fosse total.
Ele abraçou-a sôfrego e enterrou o rosto na curva de seu pescoço, de onde a voz saiu abafada:
- Tente ver se consegue escapar - provocou.
Havia muito que precisavam esclarecer e dizer um ao outro. Precisava fazer-lhe promessas, ouvir as suas e, acima de tudo, planejar o futuro. Porém, seus corpos já se comunicavam na linguagem natural do amor, e as palavras que deveriam ser ditas, passaram a ser supérfluas ante a comunhão física perfeita.
O olhar dela revelava a nudez do desejo e da sensualidade. Ele beijou-a na face e afagou-lhe os cabelos. Queria adorar cada centímetro daquele corpo e que aquele prelúdio fosse eterno, mas não podia ignorar a exigência da satisfação total. Com um meio sorriso, sussurrou:
- Tu te importas que a gente faça amor primeiro e depois converse?
Ela concordou em silêncio, puxando-o pelos ombros de encontro ao próprio corpo, porém, murmurou:
- Há uma coisa que preciso dizer antes.
Fazia tanto tempo que ansiava pronunciar as palavras simples de significado tão profundo.
- Eu te amo - sussurrou meiga.
Isso era tudo que ele desejava ouvir.
Lá fora reinava a ruína, mas, nos braços um do outro, eles construíram o próprio mundo. Amaram-se através da noite, e o sonho que tinham arquitetado havia tantas semanas era, finalmente, deles para a eternidade.