Viajávamos com um casal de amigos para o interior.
Pela janela do carro, olhávamos a grama. Era como um tapete, tão novinha, macia e funda.
O motorista fez, tão inopinadamente, a curva da rodovia para uma estradinha, e fui projetada contra P.H. Ele me reteve com ar decidido e terno.
- Tu pareces um pássaro - comentou nossa amiga, voltando-se e olhando-nos. Era um olhar distinto e correto, que assumia aquele ar cúmplice e aprovador. Parecia significar, simplesmente, que eu ficava muito bem assim, nos braços de P.H., e que eu era enternecedora. Aliás, agradava-me bastante ser enternecedora; isso evitava, muitas vezes, que eu tivesse que acreditar, pensar e responder.
- Um pássaro velho - disse eu. - Às vezes me sinto muito velha.
- Eu também - replicou. - No meu caso é mais admissível.
Todos rimos.
Papo rápido no uatizape.
Há 3 semanas