sábado, janeiro 09, 2010

Selvagem é o vento.

Ela adorava orquídeas. Essas flores tinham a reconhecida propriedade de regenerar células mortas e, quando aplicadas na forma de bálsamo cutâneo à tez diáfana da garota, retiravam-lhe instantaneamente os resquícios noturnos de suas orgias etílicas e secretas.
Numa noite mesmo, o balanço tinha sido de doze caixas de acquavit devidamente entornadas até o último vapor.
Duas pesadas lágrimas deslizaram lentamente pelas bochechas da desconsolada pseudo-mulher e enfurnaram-se pela ruga da boca até o queixo. Sem orquídeas negras, sem ninguém. Afogou-se nas dobras da memória.