segunda-feira, junho 20, 2011

Come pick me up.

...seus olhos eternamente tristes, defendido pelos óculos que protegiam sua miopia.
Toda paciência tinha seu limite.

Ela estava muito doce. Quanto maior a doçura, maior podia ser a sua expulsão de violência, a cólera e a ira do seu orgulho.
E eles sentiram sua cólera aumentar.

O que podia fazer? Por que a obrigavam a entender os outros e ninguém, ninguém a entendia?
Nem mesmo se esforçavam.
Uma lenta e incontrolável onda de fúria invadiu-a. Estava no limite de uma resistência que considerava forte, mas que desmoronava, vítima dos elementos, todos aliados contra ela. Sentiu-se perdida e isso a obrigou a entrar no banheiro, vazio naquele momento. O espelho disse-lhe a verdade que mais odiava e lamentava.
Abriu a porta de um dos banheiros e fechou-a violentamente.

Fixou a vista num ponto imediato e procurou uma serenidade que não encontrou para levantar-se e aparentar o pleno domínio de seus atos. Infelizmente, os reflexos falharam.

Perceberam que estava desmoronando. Era a solidão total. Qualquer um poderia enlouquecer com menos motivos.
Havia algumas coisas superiores às suas forças.

A vida continuava. Tentava recuperar o pulso e a ilusão.

O destino afogava o perdedor. Um acidente. Uma desgraça. Uma fatalidade.

Dobrou a esquina de casa. Dois dias para o feriado.

quinta-feira, junho 02, 2011

Está ficando frio. Fique para sempre, por favor.


Era de noite e fazia frio.
Seus olhos eram um mar de inquietações, uma tormenta sufocada e dominada pelo cansaço. Sentia-se asfixiada pelo vazio da espera.
A chuva batia contra o telhado, produzindo em seu interior um ruído monótono e surdo, como se um milhão de pássaros estivessem bicando por todas as partes.
A sensação de tristeza e solidão estava presente nela.
A vulnerabilidade a assustava.
Por esse motivo, sempre escondia seus sentimentos, suas emoções, tudo o que fazia sentir-se fraca. Fraca num mundo que, pelo que sabia, não admitia fraqueza.
Um mundo que glorificava apenas os vencedores.
Um fato duro e negativo demais para ser assumido por qualquer um dos dois.
Ela intuía algo parecido com um quarto pequeno, um frio glacial e um amor incontrolável. Mas isto podia ser mais um desejo do que uma realidade.

"Pode ser que tu estejas aqui, em alguma parte de mim, há muito tempo".

O rapaz não se mexeu.
Levantou a cabeça e olhou-a amorosamente. Foi algo instintivo, incontrolável, que sufocou nele toda pena e inquietação, eliminando seus medos, compaixão e paternalismo. Foi apenas um instante. Renasceram nele a ternura e a bondade, doces e tirânicas ao mesmo tempo.

Inclinou-se para abraçá-la e quando uniram-se, os dois souberam que faziam parte de um mesmo calor íntimo, precioso, separado pela distância e pela rapidez dos encontros, que se transformavam em oásis de delicioso descanso. E isso era suficiente para eles. O silêncio e as defesas de cada um rompiam-se nas emoções dos reencontros.

Ela não podia controlar-se. Seu corpo vibrava com uma energia incontrolável, que fazia cócegas em seus nervos e chegava em todas as partículas de seu ser.
Uma magia brilhava em seu sorriso, e seus olhinhos, diminuídos pelos óculos, brilhavam com uma fé absoluta.
E cada encontro reavivava a fogueira do amor e aplacava o gelo do distanciamento. Os muros protetores do isolamento rachavam, até reduzir-se à poeira do nada. Desse nada os dois foram feitos e eram obrigados a comunicar-se através dele.
Os dois formavam o núcleo de uma curiosa e estranha relação sentimental, uma relação viva e autêntica.



terça-feira, maio 24, 2011

Turn and face the strange.

A vida tinha seu lado injusto. E ele aparecera agora.

Sentiu-se deprimida. A vida não lhe oferecia um perfil maravilhoso para o futuro, mas continuava esperançosa. Não tinha dinheiro para comprar seus discos, seus mimos e seu cigarro; seu pai era uma lembrança perdida e sua mãe acabara de telefonar dizendo que sente saudades.
Odiava conformar-se, mas não tinha outra alternativa. Bater a cabeça na parede seria muita rebeldia. Não servia para nada mesmo. Que tudo fosse para o inferno! Ficaria trancada em seu cubículo que chama de apartamento, colocaria seus fones de ouvido e ouviria música num volume muito alto. Tão alto que a sua voz não conseguiria alcançar. Tão alto que corria o risco de ficar surda. Tão...

Estava sozinha, indecisa, num cruzamento solitário e varrido pelo vento e pelas primeiras gotas de chuva de uma noite que prometia ser gelada.
Tinha toda a semana pela frente.

quinta-feira, maio 19, 2011

Somos inatingíveis.

''Somos inatingíveis''. Era o que ele me dizia.
Por que tanto medo?

Um trovão que a acordara fez retumbar os vidros da janela.  A luz de um relâmpago desenhou um milhão de silhuetas no quarto. Cada forma imóvel transformou-se num fundo escuro e mutante, de tamanho impreciso.
(Muitas coisas horríveis aconteciam na sua cabeça segundos antes). Acendeu a luz.
O relógio marcava duas horas da madrugada daquela quinta-feira, dezenove.
Dezenove.
Dia dezenove.
Sempre o seu número da sorte, ou seu símbolo maldito. Nada de estranho.

Conhecia os motivos e fingia ignorá-los, embora em sua solidão, sua eterna, constante e densa solidão, repleta de sensações, não pudesse enganar-se.
O quarto estava cheio de objetos queridos que a encheram de paz, superando a agitação que sentira ao acordar. Seu cigarro, seus livros, as lembranças e fotografias, a cadeira, a mesinha, os desenhos.
Jogou-se para trás, fechou os olhos, porém não apagou a luz. Se pudesse escolher os sonhos, as histórias para preencher o tempo inútil do descanso... Gostava de sonhar, porque a liberdade de sua imaginação tinha um feitiço embriagador. Cada sonho era a anarquia da mente, a revolucionária revolta do seu inconformismo. Suas ideias escapavam de qualquer limite.
Saudade...
A saudade. O sonho. A noite.

Sufocou sua angústia e apagou a luz.




segunda-feira, abril 11, 2011

Like a waterbed.

Noite fria de outono. Para ser exata, um sábado do mês de abril. As estrelas não brilham para mim hoje.
Estou na janela. Nostálgica. 
A lembrança dói. Como lidar com as dores que não passam com um beijo?
Mal suspirava. Não estava disposta a quebrar meu voto de silêncio. Que mais eu podia fazer? Desviei o olhar.
Então me afundei no meu assento, pois pelo menos ali, tudo era seguro. Olhei pelo retrovisor e me imaginei participando de um drama policial, diante de um oficial lendo a minha descrição: ''Solteira, branca, 1,70 m de altura, cabelos castanhos com mechas loiras, olhos verdes, nariz vermelho e úmido e lábios pequenos. Recusa-se a falar. É uma garota má".
Me tranquei no quarto. Escrevi poemas. Eles eram tão ruins que davam dor de cabeça. Não passavam de um palavreado bombástico e interminável, cheio de tolices sobre corpos nus, odores humanos e sobre o poder da luxúria. 
Era frio. Era seco. Era sem cor, sem forma ou gosto.
Era assim, agora. 

quinta-feira, março 17, 2011

Meu tudo.

Meu frio. Meu calor. Meu outono. Minha lembrança. Minha memória. Minha nostalgia. Meu sorriso. Meu amigo. Meu choro. Minha companhia.  Minha alegria. Minha fé. Minha dor. Meu alimento. Minha alma. Meu pranto. Minha necessidade. Minha felicidade. Meu prazer. Minha motivação. Minha música. Minha calma. Meu aconchego. Minha angústia. Minha preocupação. Minha raiva. Minha diversão. Minha bebida. Minha conversa. Minha leitura. Minha loucura. Minha festa. Minha paciência. Minha força. Minha vontade. Minha rima. Minha fome. Meu início. Minha sede. Meu sol. Meu mar. Minha lua. Meu verão. Minha rua. Minha casa. Minha paz. Minha confusão.

Meu amor.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

E minhas memórias que voam por aí.

Que solidão eu vivo até a tua chegada!
Quando chega a noite, te sinto mais próximo.

Me desculpa por te amar demais. Me desculpa por te esperar ansiosamente. Me desculpe por contar as horas para te ver.

Quando tudo se resume a um amanhecer, seus beijos intensos, como se fossem os últimos, me aquecem. E o sentimento de que todo dia é sábado.

Quem o deixou partir?

Chega logo, meu amor. Me dê tua mão e faça sentir-me segura. Me dê um abraço e faça sentir-me amada. Me dê um beijo e faça sentir-me desejada.

Vem aqui, confira meu sorriso.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Do nosso amor.

Deu-me um abraço, um beijo e um pacote. Tímido. Foi embora.
No pacote, uma garrafa. Na garrafa, um bilhete. No bilhete estava escrito: ''vá até o fim...''.
O líquido da garrafa era vermelho. Bebi-o. Era mais forte que Martini.
A bebida era viciante e, dias depois eu ainda estava bêbada. Bêbada do líquido do amor. Bêbada de amor. Por ELE.

terça-feira, dezembro 21, 2010

O eclipse.

Um espamo quase silencioso...
O mundo derretia lá fora. Vinte e quatro horas é o tempo máximo que ela consegue ficar longe dele, sem reclamar.
A semana parece interminável. As noites impossíveis de aturar.
Em todos os rostos, vidros e lugares...
Sua boca treme. Seu coração dispara.
Aquele céu azul. Aquela saudade apertando.
Com grande inquietação, as frases abafadas.
Após uma grande coleção de minutos, horas e dias, não restava mais nada para acontecer.
Ela morria de saudade daquilo - da segurança, da familiaridade, do cheiro do amor -, mas não conseguia se mexer. Pelo menos até a sexta-feira chegar.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Hoje o amor bateu à minha porta.

Ele era lindo, ofegante e suava.
Seus olhos não desgrudavam dos meus. E seu sorriso me cegava.
Tão figurante visão.
Ele me abraçou e nossos corações eram um só.
Sua voz estava embargada.
Era choro. De saudade.
Ele sabe onde guardo meu prazer.