...seus olhos eternamente tristes, defendido pelos óculos que protegiam sua miopia.
Toda paciência tinha seu limite.Ela estava muito doce. Quanto maior a doçura, maior podia ser a sua expulsão de violência, a cólera e a ira do seu orgulho.
E eles sentiram sua cólera aumentar.
O que podia fazer? Por que a obrigavam a entender os outros e ninguém, ninguém a entendia?
Nem mesmo se esforçavam.
Uma lenta e incontrolável onda de fúria invadiu-a. Estava no limite de uma resistência que considerava forte, mas que desmoronava, vítima dos elementos, todos aliados contra ela. Sentiu-se perdida e isso a obrigou a entrar no banheiro, vazio naquele momento. O espelho disse-lhe a verdade que mais odiava e lamentava.
Abriu a porta de um dos banheiros e fechou-a violentamente.
Fixou a vista num ponto imediato e procurou uma serenidade que não encontrou para levantar-se e aparentar o pleno domínio de seus atos. Infelizmente, os reflexos falharam.
Perceberam que estava desmoronando. Era a solidão total. Qualquer um poderia enlouquecer com menos motivos.
Havia algumas coisas superiores às suas forças.
A vida continuava. Tentava recuperar o pulso e a ilusão.
O destino afogava o perdedor. Um acidente. Uma desgraça. Uma fatalidade.
Dobrou a esquina de casa. Dois dias para o feriado.