Noite fria de outono. Para ser exata, um sábado do mês de abril. As estrelas não brilham para mim hoje.
Estou na janela. Nostálgica.
A lembrança dói. Como lidar com as dores que não passam com um beijo?
Mal suspirava. Não estava disposta a quebrar meu voto de silêncio. Que mais eu podia fazer? Desviei o olhar.
Então me afundei no meu assento, pois pelo menos ali, tudo era seguro. Olhei pelo retrovisor e me imaginei participando de um drama policial, diante de um oficial lendo a minha descrição: ''Solteira, branca, 1,70 m de altura, cabelos castanhos com mechas loiras, olhos verdes, nariz vermelho e úmido e lábios pequenos. Recusa-se a falar. É uma garota má".
Me tranquei no quarto. Escrevi poemas. Eles eram tão ruins que davam dor de cabeça. Não passavam de um palavreado bombástico e interminável, cheio de tolices sobre corpos nus, odores humanos e sobre o poder da luxúria.
Era frio. Era seco. Era sem cor, sem forma ou gosto.
Era assim, agora.
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Há 3 semanas