A vida tinha seu lado injusto. E ele aparecera agora.
Sentiu-se deprimida. A vida não lhe oferecia um perfil maravilhoso para o futuro, mas continuava esperançosa. Não tinha dinheiro para comprar seus discos, seus mimos e seu cigarro; seu pai era uma lembrança perdida e sua mãe acabara de telefonar dizendo que sente saudades.
Odiava conformar-se, mas não tinha outra alternativa. Bater a cabeça na parede seria muita rebeldia. Não servia para nada mesmo. Que tudo fosse para o inferno! Ficaria trancada em seu cubículo que chama de apartamento, colocaria seus fones de ouvido e ouviria música num volume muito alto. Tão alto que a sua voz não conseguiria alcançar. Tão alto que corria o risco de ficar surda. Tão...
Estava sozinha, indecisa, num cruzamento solitário e varrido pelo vento e pelas primeiras gotas de chuva de uma noite que prometia ser gelada.
Tinha toda a semana pela frente.