terça-feira, dezembro 15, 2009

Um que você ama é onde você esconde.

Fora um encontro casual.
Sorriram, piscaram, enrubesceram. Aproximaram-se, cochicaram impronunciáveis resmungos, tocaram-se.
Amaram-se, uma noite para sempre, em frente à grande estante errática da sala. Arrastando-se por entre as páginas amareladas e memórias náufragas, hipnotizou-lhes o encantamento.
Lembranças, amuletos e retratos, bibelôs quebrados, brinquedos enferrujados. Objetos tristes entre livros cerrados.
Os resmungos sibilavam malícias nos seus tímpanos e a pútrida fumaça do ócio embrulhava-lhe as tripas.
Quando acordou, no dia seguinte (se é que pode-se dizer que dormiram), ela pareceu mais feliz, porém, estranha e confusa com aquela situação. Seu coração parecia derreter ao vê-lo dormindo. Com a barba ainda tímida, ele recebeu um beijo quente dela. Sorriu.