sábado, agosto 08, 2009

Auréola.

Pobre moça, com seus 16 anos (pouco mais que uma criança e ainda assim, uma mulher), amedrontada e inteiramente fascinada por aquele... hmm... selvagem.
O cabelo dele era alourado, e me fazia lembrar a juba de um leão.
Logo que o vi, o colorido de seu rosto me tomou. Ele tinha o olhar mais sedutor que já havia encontrado.
Seus olhos e cabelos pareciam ter o mesmo tom, mesmo sabendo que isso era pouco provável; mas não era por isso que se faziam notados; suponho que fosse algo na expressão, algo de indiferença, segurança e sarcasmo.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Isabelle.

Curiosamente, todos fomos afetados pela sua presença. Isabelle dava a impressão de iluminar a casa de modo sinistro e estranho, fazendo com que eu visse tudo e todos de modo diferente. Fiquei insegura com relação às pessoas e me perguntava se, afinal de contas, não estava sendo ingênua e demonstrando pouco conhecimento da vida.
Ela era tão serena que às vezes pensava ser uma serenidade mortífera. À sua volta, tudo parecia quieto. Movimentava-se sem fazer qualquer ruído. Por diversas vezes, notei que, quando entrava num quarto, era tão silenciosa que as pessoas só se davam conta de sua presença depois de levantarem os olhos e virem apanhados de surpresa por sua esfuziante beleza.
Ah, sua beleza! Ninguém podia ignorá-la. Uma beleza rara, impossível de ser negada. Feições irrepreensíveis, sem uma falha, num rosto perfeito. Sua pele era macia e luminosa. Creio que, antes de encontrar Isabelle, só uma ou duas vezes vi pele igual à dela; os cabelos eram sedosos e curtos. Tinha tudo essa mulher, exceto dinheiro.
Assim, foi inevitável; uma presença como essa acabou produzindo efeitos em todos. Ela parecia despertar certos traços de nossa personalidade que, até então, eram mantidos latentes.

quinta-feira, agosto 06, 2009

O que sobrou.

É pela manhã que melhor se pode apreciar o sol. Descobri isso quando vi dia desses o sol nascer...quando as nuvens manchadas de vermelho projetavam brilhos rosados.
Depois do medo que senti durante a noite, a manhã me pareceu mais calma, e a paisagem, também, mais encatadora após os pesadelos. Diante da janela aberta, me senti estimulada por toda aquela beleza e também pelo fato de que tinha conseguido atravessar, a salvo, a noite.
Os muros da casa, agora, começavam a mudar de cor novamente; os tons verde iam esmaecendo, passando a prateados pelo brilho do amanhecer.
Para matar o tempo, decidi explorar a casa. Era
também um jeito de me certificar de que, de fato, estava sozinha.
Entrei na sala de visitas. Me joguei naquele sofá, puxei minha coberta favorita e juntei do chão minha tigela de cereais com leite. Logo peguei o controle da televisão e parte do meu dia passei ali.

Layout.

Jéssica me cumprimentou com seu enigmático sorriso, que agora eu comparava com o de outra pessoa. Estava elegante, e naturalmente linda. Usava uma blusa azul meio arroxeada. Ela não possuía muitas blusas como esta, mas esta era de muito bom gosto. E se há uma coisa que sabia, era como tirar o máximo do efeito de suas roupas. Talvez fosse porque uma beleza como a dela fizesse qualquer roupa parecer maravilhosa. Imediatamente me senti uma graça na sua presença, e aí me ocorreu que sua intenção fosse essa mesma, a de me fazer sentir assim, com aqueles olhares impassíveis que me lançava. Movia-se com uma graça que jamais iria conseguir imitar, e todos os gestos tinham um charme natural.

terça-feira, julho 21, 2009

Melhor correr por proteção.

Não revelaria como detestava a idéia de passar o resto da noite sozinha, porque isso seria o mesmo que confessar a necessidade que a surpreendia por sua intensidade. Queria tê-lo a seu lado não só pelo alívio que seu corpo podia proporcionar, mas por algo mais. Sua presença, poder abraçá-lo... Isso era o bastante.

sábado, julho 18, 2009

Amanhã.

De qualquer forma, não estava disposta a esperar muito para tê-lo. Não podia esperar. Estava perturbada pela lembrança da boca sob a dela, do toque das mãos másculas em sua pele. Imagens do corpo sinuoso e macio a atormentavam a ponto de distraí-la, e não permitiria mais que ele se mantivesse distante.

Deixaria-se aconchegar entre aqueles braços. A noite era fria e sentia-se congelada. O calor de seu corpo másculo a envolveria, provocando uma sensação de conforto e segurança. Ele ainda não confiava nela, mas isso não parecia ter importância. Não essa noite.

quarta-feira, julho 15, 2009

Dare 4 distance.

Deixando escapar um suspiro cansado, ergui os olhos.
Os dele, tão escuros e insondáveis, emanavam calor. A mandíbula estava tensa, apertada. Sua respiração não era estável como de costume.
Sabia que também ofegava. O coração batia descompassado, num momento acelerado, no outro, ameaçando parar. Cada centímetro de pele parecia estar em brasa.
...Sentir? Sentia até demais! Meu corpo estava tomado pelas sensações que ele conseguia provocar com um simples toque, e sabia que estava a um passo de perder o controle (mais uma vez). Então seria impossível voltar atrás.

Levei um bom tempo para recuperar a partida dele. Cobrindo-me com um casaco de inverno enorme, deixei aquela esquina, sem olhar para trás. Depois fiquei parada por alguns instantes, as mãos apoiadas na madeira rústica da parede de uma velha casa.
Voltarei logo. Procure-me quando decidir o que quer, ele dissera, como se fosse certo e inquestionável que me tornaria sua amante.
Um suspiro trêmulo escapou de meu peito. Não podia negar a atração que existia entre nós. Ansiava pelos prazeres sensuais contidos nas promessas dele, mas sabia que não poderia entregar-me a tais intimidades sem comprometer o coração.

quinta-feira, julho 02, 2009

Loversloveliarslie.

Ele deu de ombros, não parecendo muito entusiasmado com o assunto de suas dores por causa da Lua, uma questão muito remota em relação àquela hora do dia para ser importante. Mas meus instintos estavam todos em estado de alerta, dizendo-me... não, avisando-me... que era, sim, importante.

sábado, junho 20, 2009

And then somebody said hello to me.

Por um lado, eu tinha certeza de ter sido a causadora de sua aparição naquela noite.
Por outro, ele apresentara um motivo lógico para ir lá: conhecera pessoas na cidade. Talvez fosse coincidência. Não, não era. O medo e a curiosidade me dividiam, mas a curiosidade era mais forte que o medo. Decidi tentar invocar a manifestação dele mais uma vez, e nessa ocasião não deixaria nada ao acaso. A experiência seguinte me daria toda a certeza de que eu necessitava.

Mesmo assim.

Febre alucinógena.
Pessoas chamando em plena escuridão, madrugada.
Suór.
Sob seis cobertas quentes e pesadas.
Levanta-se, fraqueza.
Desmaios.
Pelo caminho, o tio do churrasquinho ouve música campeira.
Lembranças da infância.
Estrada sem mato, nova paisagem.
Cigarro, Ricardo, risos.
02:21 am.