segunda-feira, maio 03, 2010

O perfume que andava com o vento pelo ar.

Chovia muito naquela manhã e Francisco não se deixou levar, como tantas vezes antes, pela preguiça.
No café-da-manhã, ele comia peixe com morangos. Depois, saía para caminhar. Ninguém traía a solidão voluntária de Francisco.

Primavera.

Calmamente, mochila escamada nas costas, ele caminhava.
Aquela quarta-feira úmida e quente. Poucos se aventuravam para fora de casa naqueles dias abafados e, por isso, um silêncio grave cobria o ambiente temperado pelo mugido aleatório dos motores que roncavam nas avenidas que circundavam aquela cidade neoclássica.

Seaside.

Membros que bailam em silenciosas coreografias no vento quente.

Os bons velhos tempos.

Num dia quente, pesado e úmido, a moça de um tapa numa mosca e quebrou o relógio.
Romance apenas não era suficiente para Pedro, não em sua idade.

domingo, abril 18, 2010

11th dimension.

Neste planeta tão densamente povoado de seres reprodutivos, o medo do sonho é lei, a esperança na busca é crime e os desprevenidos aventureiros que se apaixonarem pela selva magnética devem banir para sempre os pulsos da fantasia.

segunda-feira, abril 12, 2010

Melody Of a Fallen Tree.

Hoje, sob um regime que tudo apequena, os senhores amam os pequenos pratos, os pequenos apartamentos, os pequenos quadros, os pequenos artigos, os pequenos jornais, os pequenos livros, isso quer dizer que as mulheres serão também menos grandiosas? Por que motivo o coração humano mudaria, só porque os senhores mudam de hábito? Em todas as épocas as paixões serão as mesmas. Sei de devotamentos admiráveis, de sublimes sofrimentos a que faltam a publicidade, a glória se preferirem, que outrora ilustrava os erros de algumas mulheres.

domingo, abril 11, 2010

Saturday.

O lábio inferior, fino e muito móvel, se baixava nas duas extremidades em vez de se erguer, o que me parecia denunciar um fundo de crueldade nesse caráter de aparência fleumática e preguiçosa.

quarta-feira, abril 07, 2010

About me 2.0

Meu humor só Freud realmente explica. Sou forte e frágil, doce e raivosa, carente e independente. Pois é, com esse jeito complicada e perfeitinha eu sigo minha vida e minhas relações. Possuo uma memória seletiva, que escolhe o quê e quando lembrar, mas muitas vezes, me apego ao que deu errado no passado, com dificuldade de me desprender de modo leve.
Sou intensa em tudo o que faço e espero uma cumplicidade enorme das pessoas à minha volta.
Tenho uma super intuição, que me guia nos momentos-chave do destino. De personalidade forte, sou apegada às pessoas importantes, sejam amigos, rolos de amor ou gente da família. Sou uma guerreira, que une as pessoas, através de conselhos e pequenas broncas, quando alguém tá pisando na bola.
Sou um pouco controladora e manipuladora e, como conheço profundamente as pessoas, por ser intuitiva, acabo percebendo os vacilos rapidamente.
Super carinhosa e protetora, sou a mãe da galera.
Ouço os problemas, fico perto na hora da dor, invento atividades maluquinhas só para animar um amigo... Por ser intuitiva, sei, só de olhar, quando aquela amiga especial tá na pior.
Nunca esqueço datas de aniversário, adoro sair pra comer e conversar. E se precisar de alguém pra chorar junto depois daquela festa catastrófica, sabe o meu número.
Cada loucura investida vale um ponto.

Margarida has a strange appeal.

Uma mulher elegante será mais ou menos condessa, confessa do império ou de ontem, condessa da velha estirpe ou, como dizem em italiano, condessa por polidez. Mas quanto à grande dama, ela está morta com toda a sociedade grandiosa do séculos passado, junto com o pó-de-arroz, as moscas, os chinelos de salto alto, os corseletes apertados enfeitados de um delta de nós. As duquesas passam hoje pelas portas sem que seja necessário fazê-las alargar para as suas saias repolhudas. Enfim, o império viu os últimos vestidos de cauda!
Daí a mulher que é duquesa, apenas no nome, não possui nem carruagem, nem criados, nem camarote no teatro, nem tempo ocioso; não dispõe de um apartamento em seu palácio, nem fortuna, nem bibelôs.

Uma flor vermelha nasceu.

Matar uma mulher é um ato infantil.
Existe sempre um macaco consumado dentro da mais bonita e angelical das mulheres.

Vingar-se de uma mulher não é reconhecer que ela é única, que os homens não saberiam viver sem ela? E será a vingança a maneira de conquistá-la? Se ela não vos é indispensável, se existem outras, por que não lhes deixar o direito de troca que arrogam para eles mesmos?
Isso, bem entendido, só se aplica à paixão; de outro modo, seria anti-social, e nada prova a necessidade do casamento indissolúvel do que a instabilidade de paixão. Os dois sexos devem ser acorrentados, como animais ferozes que são, as leis inexoráveis, surdas e mudas. Suprima-se a vingança e a traição nada mais é no amor. Aqueles que acreditam que só existe uma mulher no mundo para si, esses devem ser adeptos da vingança, e nesse caso existe apenas uma.