terça-feira, julho 21, 2009

Melhor correr por proteção.

Não revelaria como detestava a idéia de passar o resto da noite sozinha, porque isso seria o mesmo que confessar a necessidade que a surpreendia por sua intensidade. Queria tê-lo a seu lado não só pelo alívio que seu corpo podia proporcionar, mas por algo mais. Sua presença, poder abraçá-lo... Isso era o bastante.

sábado, julho 18, 2009

Amanhã.

De qualquer forma, não estava disposta a esperar muito para tê-lo. Não podia esperar. Estava perturbada pela lembrança da boca sob a dela, do toque das mãos másculas em sua pele. Imagens do corpo sinuoso e macio a atormentavam a ponto de distraí-la, e não permitiria mais que ele se mantivesse distante.

Deixaria-se aconchegar entre aqueles braços. A noite era fria e sentia-se congelada. O calor de seu corpo másculo a envolveria, provocando uma sensação de conforto e segurança. Ele ainda não confiava nela, mas isso não parecia ter importância. Não essa noite.

quarta-feira, julho 15, 2009

Dare 4 distance.

Deixando escapar um suspiro cansado, ergui os olhos.
Os dele, tão escuros e insondáveis, emanavam calor. A mandíbula estava tensa, apertada. Sua respiração não era estável como de costume.
Sabia que também ofegava. O coração batia descompassado, num momento acelerado, no outro, ameaçando parar. Cada centímetro de pele parecia estar em brasa.
...Sentir? Sentia até demais! Meu corpo estava tomado pelas sensações que ele conseguia provocar com um simples toque, e sabia que estava a um passo de perder o controle (mais uma vez). Então seria impossível voltar atrás.

Levei um bom tempo para recuperar a partida dele. Cobrindo-me com um casaco de inverno enorme, deixei aquela esquina, sem olhar para trás. Depois fiquei parada por alguns instantes, as mãos apoiadas na madeira rústica da parede de uma velha casa.
Voltarei logo. Procure-me quando decidir o que quer, ele dissera, como se fosse certo e inquestionável que me tornaria sua amante.
Um suspiro trêmulo escapou de meu peito. Não podia negar a atração que existia entre nós. Ansiava pelos prazeres sensuais contidos nas promessas dele, mas sabia que não poderia entregar-me a tais intimidades sem comprometer o coração.

quinta-feira, julho 02, 2009

Loversloveliarslie.

Ele deu de ombros, não parecendo muito entusiasmado com o assunto de suas dores por causa da Lua, uma questão muito remota em relação àquela hora do dia para ser importante. Mas meus instintos estavam todos em estado de alerta, dizendo-me... não, avisando-me... que era, sim, importante.

sábado, junho 20, 2009

And then somebody said hello to me.

Por um lado, eu tinha certeza de ter sido a causadora de sua aparição naquela noite.
Por outro, ele apresentara um motivo lógico para ir lá: conhecera pessoas na cidade. Talvez fosse coincidência. Não, não era. O medo e a curiosidade me dividiam, mas a curiosidade era mais forte que o medo. Decidi tentar invocar a manifestação dele mais uma vez, e nessa ocasião não deixaria nada ao acaso. A experiência seguinte me daria toda a certeza de que eu necessitava.

Mesmo assim.

Febre alucinógena.
Pessoas chamando em plena escuridão, madrugada.
Suór.
Sob seis cobertas quentes e pesadas.
Levanta-se, fraqueza.
Desmaios.
Pelo caminho, o tio do churrasquinho ouve música campeira.
Lembranças da infância.
Estrada sem mato, nova paisagem.
Cigarro, Ricardo, risos.
02:21 am.

segunda-feira, maio 18, 2009

Preciso de algo mais doce.

Esta ferida um dia irá cicatrizar?!
Preciso completar a minha metamorfose, sair do casulo e viver como borboleta, viver a metástase. Com as mudanças de nossos hábitos e de nossos valores conseguiremos aproximar a alma do espírito e viver a harmonia interior. Mas como? Como posso viver sem pensar nele? 

terça-feira, maio 12, 2009

Acusações Baratas

Ela não chega a ser exatamente um monumento à beleza.
"O que é, então, que te incomoda nela?"
São tantas coisas que não sei por onde começar.
"Dê uma razão ao menos. Comece pelo que mais te incomoda".
Comecei dizendo que ela falava mais do que o solicitado (e do que o esperado) pelos circunstantes, e quase sempre num tom de voz desagradavelmente alto: o volume da voz daquela guria está dez decibéis acima do limite tolerável pela Organização Mundial de Saúde - certas vezes surpreendo com uma maldade inexcedível.
"É o tom de voz, então, que te incomoda?"
Não. É mais do que o tom de voz: é a presunção, a falta de autocrítica, a ignorância pretensiosa... A farsante consegue impressionar todos (menos a mim) com o suposto "alto nível" dela... Ela sugere nas entrelinhas que sua "cultura" (entre aspas, é claro) tem extensão e profundidade oceânicas, mas na verdade não passa de um desses riachos que a gente atravessa com água pelo joelho.
"Cruzes, que fúria contra a coitada! Tu não está exagerando?"
Ignorei este comentário. Parei um pouco e completei: também me irrita a forma como ela massacra as pessoas.
Finalmente, estava revelada a chave capaz de decifrar aquela minha fúria um pouco excessiva (confesso) contra a moça (veja, fui mais doce ao chamá-la, dessa vez).
Ela me incomodava por isso: por "massacrar" as pessoas.
Mesmo doce, sei ser quase desumana na defesa das minhas lealdades. Contra os inimigos - digo algumas vezes, - temos que esgotar o estoque de críticas justas, e depois, lançar mão das injúrias e infâmias!
É o que eu faço agora contra a rapariga (como diria minha avó): o mal dela é que ela se comporta como se tivesse 20 centímetros a mais e 20 quilos a menos.
Vou pular toda essa minha raiva e ir direto à moral da história: um saldo bancário sólido enche de ternura o coração de algumas mulheres.
Camuflei o sarcasmo com um tom judicioso como de costume.

quinta-feira, abril 30, 2009

Um capuccino, por favor.

Ontem pela manhã (passava das 8 horas), fui à padaria tomar um capuccino. Decidi ir sozinha. Sem que ninguém soubesse. Precisava de um tempo para mim.
Sentado na mesa perto da janela, um rapaz me chamou a atenção. Resolvi sentar na mesa ao lado. Ele era encantador.
A polêmica por causa da verdadeira cor dos olhos dele determinou o surgimento de três correntes que divergiam furiosamente a minha mesa. Considerava-os "obviamente verdes", ao mesmo tempo, aferrava-me à tese de que, na verdade, eram azuis (talvez um "azul-água", o que não passava de uma forma de aceitar que eram verdes); contradizendo meus pensamentos anteriores acreditei: os olhos dele eram de cor violeta, como os de Elizabeth Taylor.
Eu e meus "neurônios" ficamos minutos nessa discussão.
Hoje, no mesmo horário, eu quis aparecer lá. Com a quase certeza de que iria encontrá-lo. E adivinha quem estava sentado no mesmo lugar de ontem?! Ele mesmo. O até então misterioso rapaz. Que usava hoje um chapéu engraçado que deixou-o mais intelectual. Ele parecia ainda mais doce dessa vez. Impossível não se apaixonar! Percebi, no seu olhar que notava a minha presença e lembrava do meu rosto, já que também sentei no mesmo lugar. Porém, hoje, percebi uma coisa que ontem eu não havia reparado: ele usava uma aliança. Isso não me desanimou, aliás, eu sabia que não era o bastante para ele e não criei expectativas quanto a isso. Só queria conhecê-lo e bater um papo. O que acontecesse apartir daí, era pura e mera conseqüência.
Parecia tudo tão cinematográfico. Até agora não acredito.
Enfim... Ele fazia várias anotações com expressão absorta e preocupada, numa caderneta de couro marrom. Ao mesmo tempo, abria um livro e lia com tal atenção e interesse, que até a garçonete, quando lhe trouxe o café, cuidou para não perturbá-lo.
Qualquer idéia de uma eventual aproximação era desencorajada por uma espécie de constrangimento absoluto imposto pela concentração que ele lia ou escrevia. Quem cometeria a monstruosidade de interromper aquela concentração?
Houve a ameaça, apenas ameaça de duas ou três vezes - cheguei a elaborar planos de verdadeiras abordagens piratas a serem feitas na mesa dele -, mas, no último minuto, sempre me arrependia: surgia uma voz sensata lembrando, com muita lógica, que criaria uma situação embaraçosa. Era evidente: a aproximação seria certamente repelida pelo rapaz com encantadora cordialidade, porém combinada a uma firmeza intransponível - sempre restariam seqüelas: ele poderia até não se sentir mais à vontade para voltar ao local. Já pensou se ele me abandona totalmente? (Como se eu fosse alguém na vida dele, droga!). E aquele temor de que pudesse magoá-lo, na ânsia de tentar uma aproximação, ia me contendo.
Seu nome permaneceu ignorado. E quando eu já estava cansada de não saber, fiquei sabendo que era conhecido como "Antônio", em razão de um episódio fortuito. Uma vez, ele precisou usar o telefone e, na conversa rápida que teve, embora os meus ouvidos atentos, não foi possível captar nada ou quase nada. Consegui ouvir a primeira frase, a resposta dele, quando atenderem o telefone do outro lado da linha: "Alô, bom dia, aqui é o Antônio. Hã? Iiisso, Tavares.". Parecia seu sobrenome também, não sei ao certo.
Mas foi o suficiente para torná-lo próximo de mim. Saber como chamá-lo, já era um tesouro para alimentar a minha fantasia.
Ele lia um livro encadernado, de impenetrável capa escura, sem nenhuma palavra ou indicação na frente. O que será que ele está lendo? - me preocupava.
Seguramente era algo profundo e inquietante, pela expressão do leitor.
E o que ele escrevia naquela caderneta? Decerto um diário, anotações para algum ensaio que estava fazendo (ele tinha cara de ator), talvez um trabalho...
Ele se levantou. Certamente estava indo pagar a conta. Meu coração disparou e me senti pequena, minúscula, inútil. Foi quando ele parou e se virou. Voltou lentamente em direção à minha mesa.
Fique estática.
- Oi, tudo bem? - disse ele, revelando uma voz franca, quente e melodiosa que nunca ouvi antes, assim pronunciada diretamente.
Não conseguia falar. Estava assombrada. De perto ele aparentava ter uns 23 anos. E isso não era ruim. Ele era lindo!
- Estou me despedindo. Vou embora hoje. Não sou daqui, sou carioca, vim à trabalho. Gostei da cidade. Só achei o pessoal meio fechado. Posso fazer uma pergunta? Por que é que nesses dois dias que nos vimos, você não falou comigo? Pois eu percebi o jeito como me olhava - falou ele, incansavelmente.
Fiquei estarrecida, muda, invadida por um sofrimento indescritível. O que eu podia fazer?
- Te achei interessante. Diferente. E sabia que tu não era daqui. Não falei contigo porque tu estava concentrado na tua leitura, achei tão injusto te atrapalhar - tentei remediar, envergonhada, procurando palavras bonitas para não desapontá-lo.
- Também te achei interessante e com um brilho que nunca havia visto uma garota da sua idade - disse ele, com um sorriso.
Nessa hora, meus olhos brilharam mais ainda.
Ele olhou o relógio e fez uma expressão desolada:
- É, pena, não posso mais ficar. Meu ônibus sai às dez...
- Eu te levo até a rodoviária, pode ser? - falei com uma certa histeria, queria conversar mais com ele. Estávamos ali não havia 5 minutos.
- Melhor não - ele falou querendo me consolar.
- Tá bom. Mas... só mais uma pergunta: o que tu estava lendo? - falei com uma voz e expressão engraçada (bem conhecida por meus amigos).
- Ah, O Pequeno Príncipe e Novelas Escolhidas de Saint-Exupéry.
- E o que tu tanto anotava?
- Poemas. Eu escrevo poemas. Desculpa, mas tenho que ir. Adorei o café. Adorei o lugar. Adorei você, menina, apesar de não ter falado comigo no começo - disse como se eu já fosse uma amiga.
Ali na frente da padaria mesmo, nos despedimos. Ele me deu um beijo no rosto e disse que voltaria e que nos encontraríamos novamente. Ele me procuraria.
A sensação de que aquele momento era uma cena de filme me veio à cabeça mais uma vez.
Logo ele deu um aceno, virou-se e foi embora. Seus olhos brilhavam. Não tive dúvidas de que eram de cor violeta.

segunda-feira, abril 13, 2009

Ler é o melhor remédio.

Para buscar o conhecimento é necessário ler muito.
A leitura é o início da superação. É o atalho mais curto para conhecer melhor o nosso Eu superior.
O domínio da linguagem oral e escrita vem através da leitura. Tudo o que se lê fica guardado na memória. Não é como a informação repassada pela mídia, principalmente a televisada, que apenas passa pela mente.
Ler, ler e ler é o primeiro passo para que o ser humano consiga a superação. A leitura proporciona a expansão do imaginário, do intelecto. A pessoa consegue armazenar uma infinitude de vocábulos diferentes que vão facilitar-lhe a comunicação quando for usar a palavra como forma de persuadir uma ou várias pessoas. É a forma de trabalhar sempre no mental superior e fugir do mundo maiávico, ilusório. Por isso, não adianta falar em transformação sem leitura. É necessário, portanto, o incentivo à leitura, que está perdendo a batalha para a televisão, para o corre-corre diário, para a imagem e tantas outras formas de influência.
A criança, o jovem e o adulto, geralmente, lêem (não vou usar essa p**** de mudança ortográfica aqui, por enquanto) pouco. E como será que está o processo mental desta gente? Mais na busca do conhecimento ou navegando num mar de prazeres para o corpo físico e não para a alma? A resposta é um alerta àqueles que sabem que precisam fazer alguma coisa para reverter este quadro. Aos adultos e aos adolescentes fica mais fácil. Basta trabalhar a iniciativa, a vontade, de comprar um livro, por exemplo, agir, ou seja, lê-lo. Mas se for criança? Neste caso, o pai, a mãe, os avós ou qualquer ente da família é que devem incentivá-la. Afinal, o futuro está ou não na criança? Ela precisa ser motivada para a leitura a fim de se tornar um adolescente cheio de indagações e um adulto pronto para resolvê-las e ser feliz, para quando encarnar-se num outro ser, facilitar sua evolução, contribuindo para gerar novos conhecimentos em prol da humanidade, que busca nova identidade neste novo milênio.
Os responsáveis pela família precisam mostrar a criança a realidade do mundo externo e, ao mesmo tempo, estimular a leitura dentro de casa.
Quem não lê, pouco fala, pouco ouve e pouco vê, já dizia o ditado.
Obriga também a mudança radical dos hábitos e costumes da família. Será necessário, portanto, para este adulto, conseguir tempo para pensar e ter vontade de agir rapidamente. Percebeu? Vontade e ação novamente.
Mas... como fazer? Como mostrar para os pais a mudança? Administrar o tempo durante as vinte e quatro horas e treinamento diário para conseguir o objetivo. Esta é a resposta.
Outra coisa que poucos fazem é administrar o tempo para pensar. Apenas pensar na tua vida e em como tu tá vivendo. Pensar nos objetivos futuro e como alcançá-los.
Tempo para a leitura, para a meditação, para ouvir uma boa música (um bom Strokes e/ou Radiohead, como diria meu amigo Netto, hehe), alimento da alma.
Se o ser humano não começar a administrar as suas horas pode permanecer cego.
Também não adianta querer enxergar tudo isso e não começar a treinar para conseguir o hábito da mudança. O treinamento constante é que vai dar o hábito.