quinta-feira, agosto 06, 2009

O que sobrou.

É pela manhã que melhor se pode apreciar o sol. Descobri isso quando vi dia desses o sol nascer...quando as nuvens manchadas de vermelho projetavam brilhos rosados.
Depois do medo que senti durante a noite, a manhã me pareceu mais calma, e a paisagem, também, mais encatadora após os pesadelos. Diante da janela aberta, me senti estimulada por toda aquela beleza e também pelo fato de que tinha conseguido atravessar, a salvo, a noite.
Os muros da casa, agora, começavam a mudar de cor novamente; os tons verde iam esmaecendo, passando a prateados pelo brilho do amanhecer.
Para matar o tempo, decidi explorar a casa. Era
também um jeito de me certificar de que, de fato, estava sozinha.
Entrei na sala de visitas. Me joguei naquele sofá, puxei minha coberta favorita e juntei do chão minha tigela de cereais com leite. Logo peguei o controle da televisão e parte do meu dia passei ali.

Layout.

Jéssica me cumprimentou com seu enigmático sorriso, que agora eu comparava com o de outra pessoa. Estava elegante, e naturalmente linda. Usava uma blusa azul meio arroxeada. Ela não possuía muitas blusas como esta, mas esta era de muito bom gosto. E se há uma coisa que sabia, era como tirar o máximo do efeito de suas roupas. Talvez fosse porque uma beleza como a dela fizesse qualquer roupa parecer maravilhosa. Imediatamente me senti uma graça na sua presença, e aí me ocorreu que sua intenção fosse essa mesma, a de me fazer sentir assim, com aqueles olhares impassíveis que me lançava. Movia-se com uma graça que jamais iria conseguir imitar, e todos os gestos tinham um charme natural.

terça-feira, julho 21, 2009

Melhor correr por proteção.

Não revelaria como detestava a idéia de passar o resto da noite sozinha, porque isso seria o mesmo que confessar a necessidade que a surpreendia por sua intensidade. Queria tê-lo a seu lado não só pelo alívio que seu corpo podia proporcionar, mas por algo mais. Sua presença, poder abraçá-lo... Isso era o bastante.

sábado, julho 18, 2009

Amanhã.

De qualquer forma, não estava disposta a esperar muito para tê-lo. Não podia esperar. Estava perturbada pela lembrança da boca sob a dela, do toque das mãos másculas em sua pele. Imagens do corpo sinuoso e macio a atormentavam a ponto de distraí-la, e não permitiria mais que ele se mantivesse distante.

Deixaria-se aconchegar entre aqueles braços. A noite era fria e sentia-se congelada. O calor de seu corpo másculo a envolveria, provocando uma sensação de conforto e segurança. Ele ainda não confiava nela, mas isso não parecia ter importância. Não essa noite.

quarta-feira, julho 15, 2009

Dare 4 distance.

Deixando escapar um suspiro cansado, ergui os olhos.
Os dele, tão escuros e insondáveis, emanavam calor. A mandíbula estava tensa, apertada. Sua respiração não era estável como de costume.
Sabia que também ofegava. O coração batia descompassado, num momento acelerado, no outro, ameaçando parar. Cada centímetro de pele parecia estar em brasa.
...Sentir? Sentia até demais! Meu corpo estava tomado pelas sensações que ele conseguia provocar com um simples toque, e sabia que estava a um passo de perder o controle (mais uma vez). Então seria impossível voltar atrás.

Levei um bom tempo para recuperar a partida dele. Cobrindo-me com um casaco de inverno enorme, deixei aquela esquina, sem olhar para trás. Depois fiquei parada por alguns instantes, as mãos apoiadas na madeira rústica da parede de uma velha casa.
Voltarei logo. Procure-me quando decidir o que quer, ele dissera, como se fosse certo e inquestionável que me tornaria sua amante.
Um suspiro trêmulo escapou de meu peito. Não podia negar a atração que existia entre nós. Ansiava pelos prazeres sensuais contidos nas promessas dele, mas sabia que não poderia entregar-me a tais intimidades sem comprometer o coração.

quinta-feira, julho 02, 2009

Loversloveliarslie.

Ele deu de ombros, não parecendo muito entusiasmado com o assunto de suas dores por causa da Lua, uma questão muito remota em relação àquela hora do dia para ser importante. Mas meus instintos estavam todos em estado de alerta, dizendo-me... não, avisando-me... que era, sim, importante.

sábado, junho 20, 2009

And then somebody said hello to me.

Por um lado, eu tinha certeza de ter sido a causadora de sua aparição naquela noite.
Por outro, ele apresentara um motivo lógico para ir lá: conhecera pessoas na cidade. Talvez fosse coincidência. Não, não era. O medo e a curiosidade me dividiam, mas a curiosidade era mais forte que o medo. Decidi tentar invocar a manifestação dele mais uma vez, e nessa ocasião não deixaria nada ao acaso. A experiência seguinte me daria toda a certeza de que eu necessitava.

Mesmo assim.

Febre alucinógena.
Pessoas chamando em plena escuridão, madrugada.
Suór.
Sob seis cobertas quentes e pesadas.
Levanta-se, fraqueza.
Desmaios.
Pelo caminho, o tio do churrasquinho ouve música campeira.
Lembranças da infância.
Estrada sem mato, nova paisagem.
Cigarro, Ricardo, risos.
02:21 am.

segunda-feira, maio 18, 2009

Preciso de algo mais doce.

Esta ferida um dia irá cicatrizar?!
Preciso completar a minha metamorfose, sair do casulo e viver como borboleta, viver a metástase. Com as mudanças de nossos hábitos e de nossos valores conseguiremos aproximar a alma do espírito e viver a harmonia interior. Mas como? Como posso viver sem pensar nele? 

terça-feira, maio 12, 2009

Acusações Baratas

Ela não chega a ser exatamente um monumento à beleza.
"O que é, então, que te incomoda nela?"
São tantas coisas que não sei por onde começar.
"Dê uma razão ao menos. Comece pelo que mais te incomoda".
Comecei dizendo que ela falava mais do que o solicitado (e do que o esperado) pelos circunstantes, e quase sempre num tom de voz desagradavelmente alto: o volume da voz daquela guria está dez decibéis acima do limite tolerável pela Organização Mundial de Saúde - certas vezes surpreendo com uma maldade inexcedível.
"É o tom de voz, então, que te incomoda?"
Não. É mais do que o tom de voz: é a presunção, a falta de autocrítica, a ignorância pretensiosa... A farsante consegue impressionar todos (menos a mim) com o suposto "alto nível" dela... Ela sugere nas entrelinhas que sua "cultura" (entre aspas, é claro) tem extensão e profundidade oceânicas, mas na verdade não passa de um desses riachos que a gente atravessa com água pelo joelho.
"Cruzes, que fúria contra a coitada! Tu não está exagerando?"
Ignorei este comentário. Parei um pouco e completei: também me irrita a forma como ela massacra as pessoas.
Finalmente, estava revelada a chave capaz de decifrar aquela minha fúria um pouco excessiva (confesso) contra a moça (veja, fui mais doce ao chamá-la, dessa vez).
Ela me incomodava por isso: por "massacrar" as pessoas.
Mesmo doce, sei ser quase desumana na defesa das minhas lealdades. Contra os inimigos - digo algumas vezes, - temos que esgotar o estoque de críticas justas, e depois, lançar mão das injúrias e infâmias!
É o que eu faço agora contra a rapariga (como diria minha avó): o mal dela é que ela se comporta como se tivesse 20 centímetros a mais e 20 quilos a menos.
Vou pular toda essa minha raiva e ir direto à moral da história: um saldo bancário sólido enche de ternura o coração de algumas mulheres.
Camuflei o sarcasmo com um tom judicioso como de costume.