quinta-feira, agosto 16, 2012

Soprando com o vento de mudança.

O descontentamento ainda existia. As dores que ela sentia eram representadas por sua inquieta atividade ou por uma palpitação incomum de seu coração. O uísque perdeu o seu áspero deleite e o primeiro e longo gole de cerveja gelada não lhe apeteceu tanto como antes. Parava de ouvir uma longa história quando a mesma estava na metade... não ficava, como antes, genuinamente alegre ao ver um amigo.
Estaria pensando: ''Em que penso? Que quero eu? Aonde desejo ir?'' Um sentimento estranho se apoderaria dela, e um pouco de impaciência, como se ela estivesse do lado de fora de uma redoma de vidro olhando a si mesma lá dentro. E teria, então, consciência de um som dentro de si, ou diversos sons, como se ouvisse uma música distante.
Ou talvez fosse isto.

Os pensamentos são a evasão dos sentimentos. Estás apenas cercando tua solidão que se escoa.
Naturalmente há muitos precedentes. Todo o mundo conhece a maçã de Newton. Charles Darwin disse que a sua "Origem das Espécies" lhe apareceu num relâmpago, e que ele gastou o resto dos seus dias sustentando-a; e a teoria da relatividade ocorreu a Einstein no mesmo tempo em que se leva para bater palmas. Este é o maior mistério da mente humana... a transição súbita e indutiva. Tudo cai em seu lugar, os despropósitos se relacionam, a dissonância transforma-se em harmonia e as asneiras são coroadas de significação. Mas o salto clarificador vem do solo rico da confusão e aquele que salta não desconhece a dor.