quinta-feira, julho 22, 2010

Ele voltará.

O rio serpenteava por entre salgueiros, que se inclinavam graciosamente, como que querendo beijar as águas que corriam suaves e tranquilas.
Brotavam florinhas agrestes e erguiam-se árvores copadas, em cujos galhos os pássaros orquestravam festivamente.
Na margem esquerda do rio, situava-se o bairro mais calmo. Casas branquinhas com telhados vermelhos, escondendo-se entre o verde das árvores.
Na margem direita, via-se o bairro dos pescadores, onde as moradias apresentavam o aspecto de um mosaico de várias cores: alaranjado, verde, azul, amarelo.
Havia um hotel para turistas e um bazar onde se vendiam souvenirs.
As pescarias eram cheias de vida e de encanto. Todos os pescadores sentiam-se felizes na sua profissão. Eram filhos de pescadores, cujos pais, avós, bisavós também haviam sido pescadores. No rio havia muito peixe e, no coração, muito entusiamo.
Uma vila pitoresca. Uma vila romântica.
Tarde dourada. Reflexos do sol poente espelhavam-se nas águas do rio. Os pescadores, cantando, recolhiam as redes que haviam posto a secar. Os barcos balançavam-se ao vento.
Dona Elvira, tendo acabado de preparar o jantar, colocou, após o banho, um vestido estampado leve e singelo. Uma criaturinha frágil. Seus olhos pareciam um pedacinho de um céu bem azul. Cabelos pretos contrastavam com sua pele pálida e aveludada.
Os meninos, muito bem lavados, cabelos ainda molhados pela água do chuveiro, esperavam o pai chegar do trabalho.
Aquele momento da chegada do marido era sempre agradável para Elvira. Abriu a janela e ficou a olhar para a rua.
Entre as pessoas, apareceu a figura esperada. Caminhava apressadamente, ansioso para chegar em casa. Como sempre, carregava um embrulho, uma surpresa para os filhos e uma rosa para a esposa. Chegando, beijou-a ternamente e beijou as crianças com a mesma ternura.
O Sr. Henrique era uma pessoa simpática e bonita: alto, moreno, olhos grandes e expressivos, sobrancelhas cerradas. Caráter firme e inabalável, ao lado de uma serenidade fora do comum. Tinha uma maneira discreta de sorrir; nunca dava uma gargalhada.
Dona Elvira arrumava a mesa para o jantar, enfeitando-a com a flor que lhe trouxera o marido e enquanto as crianças abriam o pacote de doces cristalizados trazido pelo pai.

Era domingo. Dia de folga pra o sr. Henrique. Enquando saboreavam a gostosa torta de frango, seu filho mais velho, encantando, exclamou:
- O que a mãe faz é tão bom!
- Amor, não somente os seus filhos apreciam o que você faz. Seu marido também adora sua comida, seus doces e suas quitandas.
- Obrigada a vocês por tantos elogios.
Era sempre assim. Dona Elvira preparava pequenas delicadezas para eles. Tudo aquilo era uma festa. Tudo aquilo era carinho. Tudo aquilo contava pontos para a felicidade do lar.