quinta-feira, junho 14, 2012

Ócios do ofício.

Cada dia terminava com a própria noite; cada ideia com suas conclusões; e cada manhã uma nova liberdade se erguia sobre as montanhas do leste e iluminava o mundo. Nunca houve razão para supor-se que seria o contrário.
Pois o que não pode um homem fazer que já não haja sido feito milhões de vezes antes?
É melhor sentar-se em apreciativa contemplação de um mundo, no qual a beleza será eternamente amparada pelos alicerces da feiúra.

Mas agora o verme do descontentamento o roía. Talvez a causa fosse o começo da idade madura.
No fundo de seu coração, achava que havia fracassado. Mas, ele era um homem razoável e realista. Mandou examinar os olhos e tirou uma radiografia dos dentes. O doutor examinou-o completamente e não descobriu nenhum foco de infecção que causasse essa inquietação. Por isso, ele atirou-se no trabalho, esperando, como o faz um homem, sufocar aquela inquietação com o cansaço.