terça-feira, janeiro 11, 2011

Do nosso amor.

Deu-me um abraço, um beijo e um pacote. Tímido. Foi embora.
No pacote, uma garrafa. Na garrafa, um bilhete. No bilhete estava escrito: ''vá até o fim...''.
O líquido da garrafa era vermelho. Bebi-o. Era mais forte que Martini.
A bebida era viciante e, dias depois eu ainda estava bêbada. Bêbada do líquido do amor. Bêbada de amor. Por ELE.

terça-feira, dezembro 21, 2010

O eclipse.

Um espamo quase silencioso...
O mundo derretia lá fora. Vinte e quatro horas é o tempo máximo que ela consegue ficar longe dele, sem reclamar.
A semana parece interminável. As noites impossíveis de aturar.
Em todos os rostos, vidros e lugares...
Sua boca treme. Seu coração dispara.
Aquele céu azul. Aquela saudade apertando.
Com grande inquietação, as frases abafadas.
Após uma grande coleção de minutos, horas e dias, não restava mais nada para acontecer.
Ela morria de saudade daquilo - da segurança, da familiaridade, do cheiro do amor -, mas não conseguia se mexer. Pelo menos até a sexta-feira chegar.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Hoje o amor bateu à minha porta.

Ele era lindo, ofegante e suava.
Seus olhos não desgrudavam dos meus. E seu sorriso me cegava.
Tão figurante visão.
Ele me abraçou e nossos corações eram um só.
Sua voz estava embargada.
Era choro. De saudade.
Ele sabe onde guardo meu prazer.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Meu corpo segue essa sensação.

Um encontro casual e eterno. 
Seus olhos verdes (para mim sempre serão azuis) saltavam sobre os meus. Eu perdi a respiração e só soube dizer que não houve nada.
A partir daquele dia seus grandes verdes olhos me perseguem e eu os vejo em todos os olhos, seu rosto sorri em outros rostos...
Ele, certamente, é um anjo - (às vezes mau) - porque se multiplica em mim e derrama em todo meu corpo - (às vezes bom) - quando penetra sorrateiro em meu quarto e preenche meus sonhos.
Ele vive em mim. É uma outra perna que adquiri, ou o travesseiro que faltava. Tornou-se uma obsessão. Corre em meu sangue. Acorda comigo e não se separa mais. Toma o café da manhã, almoça, janta comigo e é o principal artista de meus sonhos.
A imagem dele me transborda e flui em todos os poros. Reflete nos óculos, nos espelhos, nos vidros, na garrafa de cerveja. Me inunda com a sua presença, com seus olhos, pêlos e cabelos. Me suga, me surra, me incomoda.
O sono veio tarde. Delirei. 

quarta-feira, novembro 03, 2010

Havia 15 pessoas me dizendo para eu mudar.

De amor não sei. Ninguém sabe. Esse é amor que fica no corpo, coçando. Há outros amores, diferentes, que pegam a gente no descuido. Depois, só muito depois, que se percebe.

Alfredo continua à espera. Verônica também espera uma oportunidade de ter Alfredo. Mas Alfredo gosta de ambientes mal-cheirosos e escuros.
Alfredo aparenta asco. É repugnante. Repugnante? Todos temem o Alfredo. As mulheres, principalmente.
Espera. Esperamos.
Alfredo é ranzinza e gosta de queijo. 

Não sei por que a gente fica querendo contar essas coisas que ficaram na retina. Que calaram e calam por dentro. E doem, doem, doem.
Embora os tijolos estejam caindo e as estruturas já abaladas, continuamos esperando que ela não venha. Há esperanças remotas. Ela é muito atraente. Tem botões e brilha intensamente.
Naquela tarde ele esperava...

quarta-feira, outubro 27, 2010

As atrizes.

Renata recebeu a visita de Augusto e a noite deles foi maravilhosa.
Ela tem dificuldade para dormir.
O sexo foi delicioso, a conversa excelente, muitas risadas e, no fim, ele insinuou que queria dormir com ela.
Passou a noite observando o homem como um bebê a seu lado enquanto não conseguia dormir.
6:56 da manhã.
Já andou na praia, comprou jornal, passou na padaria e também já comprou frutas.
Tomou um banho gostoso.
A casa está com cheiro de café e o sol entrando pelas frestas da cortina.
O som toca uma música baixinho.
Tem gente que não dorme e fica de mal humor, mas ela... ela se sente melancólica.
Quer colo. Quer carinho. Que nada...ela vai voltar ao quarto e aproveitar aquele homem!

segunda-feira, outubro 18, 2010

E por falar em saudade...

Não podia imaginar que minha vida só então começava. 
Estava, embora não o soubesse, para encontrar o homem cuja influência haveria de moldar e modelar toda a minha vida. 
Lembrava-me bem quando vira aquela figura de olhos claros (eram verdes, mas insistia em dizer que eram azuis) sentada à minha frente.
Desde então tem sido meu maior amigo, tendo influenciado profundamente minha vida.
O modelo de homem, que não parece mais florescer nestes tempos de decadência.
Para a parte mais laboriosa do processo, terei comigo meu inestimável P.H.
Mon enfant, mon cher, mon vieux, mon amour...
Sem ele, me sinto insuportavelmente só.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Te confesso que...

Tua voz me faz estremecer; tu me surpreende mesmo quando diz o que eu espero.
Adoro te olhar enquanto dorme com o sol batendo em teu rosto.
Teu abraço intenso, o jeito como fala comigo, o sorriso no olhar me aquecem.
Tuas mãos me transmitem a quantidade exata de proteção que eu preciso. 
Às vezes, te beijo apenas pelo olhar, como se isso pudesse tornar tudo mais real.
Toda semana, quando me despeço de ti, sinto teu cheiro em mim, no meu corpo, nos meus lençóis...
Não sei quanto tempo tudo isso vai durar, então, agora, eu só desejo.
Desejo que ao te beijar meu coração revele o que ainda é silêncio; que ao me tocar sinta a força da minha entrega.
Desejo que continue a me alentar com tuas palavras fortes; que deixe-me saborear em tua testa franzida as dúvidas que lhe provoco; que prolongue o deleite que sinto quando mostra teu jeito homem; que mantenha as palavras lascivas subentendidas ou diga aos meus olhos com tua respiração; que deite em mim tua fome e devore meus suspiros com os teus; que tome meu corpo nesse êxtase de volúpia carnal. 
Desejo que me ame. Como eu te amo.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Ele tem a chave para chegar ao seu coração.

Depois da melancolia que a acompanhou por boa parte do dia, precisava sair, dar uma volta. Foi tranqüila meio que sem rumo.

Passando por uma praça, viu um senhor atravessando de mãos dadas com uma senhorinha muito vaidosa: usava pérolas e uma blusa de linha com fitinhas.
O senhor chegou a parar o trânsito da rua para que sua esposa atravessasse com toda calma. E ao final da travessia recebeu um sorriso. Deram as mãos e se foram.
Ela achou o casal lindo. Se emocionou.

Chegou à praia e decidiu tomar um suco de laranja, molhou os pés e ficou sentada na areia pensando em tudo que estava sufocando-a. Logo, ela chorou, mas aos poucos foi como se evaziasse o que pesava em sua alma.
Decidiu entrar na água de roupa e tudo e, depois de guardar o que não podia molhar, ficou somente com a chave do carro nas mãos. Começou chutando a água, mas logo estava pulando e mergulhando. Ficou por um tempo nesse transe na praia vazia vendo o céu meio azul nublado, a areia, toda aquela água, o vento... E a sensação de liberdade.

Voltou para casa, tomou um banho e lembrou-se do casal de idosos que viu. Não são todos que têm a oportunidade de conviver com uma pessoa carinhosa e dedicada.
Ela teve por anos a oportunidade de aprender muitas lições de vida e amor sincero pelas pessoas. Um exemplo sólido da capacidade de transformação que o amor verdadeiro é capaz de causar. Se deu conta de que não deveria lembrar com tanta tristeza, mas sim com uma saudade nostálgica que esquenta o coração, com carinho e ternura pelas oportunidades que teve de compartilhar.
As boas lembranças são carregadas em nosso coração e isso está tão dentro de nós que nada é capaz de mudar. Portanto, não importa aonde vá, ele estará sempre com ela e prefere vê-la sorrindo ao pensar em vê-la chorando sem seu abraço terno para consolar.
Ela jamais esquecerá, em sua vida, do brilho dos olhos desse menino.
E chega de choro.

sábado, setembro 04, 2010

Os dias que estão nos jornais (antigos).

- Aí, mano! Eu bebo todo dia, tá ligado?
- Fumo pra cacete, mano, durmo sempre aqui em frente à vendinha.
- Já vi de tudo aqui, coisa que até o diabo duvida, mano, tá ligado?
- Sobrevivo comendo coisas que ganho, mano, e até reviro os lixo, é mó treta com os cachorro, tá ligado?
- Já fui esfaqueado duas vezes, mano; uma pelo Negão e a última foi pelo Boca, uns moleques folgado da porra.
- E agora tu pensa: tudo isso e eu ainda tô vivo, mano. Agora uma pá de maluco que comia bem pra caralho já foi embora, é só pensar, o Senna, o PC Farias, o Leandro, aquele da dupla sertaneja, tá ligado? Então num é embaçado, mano?
- Aí, eu vou sair fora agora, vai ter um sapeco lá no Saldanha, e hoje eu vou comer que nem um cachorro, falou, depois a gente se cruza.
...
- Falou, cara. Depois a gente se tromba.